sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Milteforan


RESOLUÇÃO DE LESÕES NA LÍNGUA CAUSADAS POR LEISHMANIA INFANTUM EM UM CÃO TRATADO COM A ASSOCIAÇÃO MILTEFOSINE-ALOPURINOL

Resolução de lesões na língua causadas por Leishmania infantum em um cão tratado com a associação miltefosine-alopurinol.
Um cão de 4 anos de idade foi atendido em Março de 2008 no Departamento de Ciências Clínicas da Universidade de Nápoles, apresentando perda do apetite, diarréia , hipersalivação e lesões nodulares na língua.




O restante do exame físico revelou ligeira linfadenomegalia. Os exames laboratoriais pedidos: hemograma completo, proteína plasmática total, relação albumina/globulina, uréia, creatinina, ALT e urinálise. Todos os exames se mostraram dentro dos valores de normalidade.
A avaliação citológica das lesões nodulares da língua revelou a presença de vários neutrófilos, macrófagos, células epiteliais e linfócitos. Formas amastigotas de leishmania foram encontradas dentro e fora dos macrófagos.




Quando realizado o RIFI para L. infantum, o cachorro estava positivo com titulação de 1:1280. A citologia da medula óssea também revelou formas amastigotas de leishmania.
O cachorro foi tratado com a combinação miltefosine ( milteforan® ; virbac) na dose de 2mg/kg uma vez ao dia, via oral por quatro semanas e alopurinol (ziloric®, GlaxoSmithKline) na dose de 10mg/kg duas vezes ao dia, via oral por seis meses.
Uma boa melhora dos sinais clínicos sistêmicos foi observada ao final do período de 4 semanas de administração do miltefosine, com a resolução parcial das lesões nodulares da língua, sendo que o quase desaparecimento total das lesões ocorreu com dois meses após o início da terapia.



As análises hematológicas, bioquímicas e urinárias novamente se mostraram sem alterações dignas de nota. A titulação do RIFI caiu para 1:640. Exame citológico da língua foi negativo para a presença de formas amastigotas de leishmania.
Lesões orais causadas por Leishmania, particularmente na língua, são raramente reportadas. São provavelmente conseqüência da disseminação sistêmica do parasita.
Miltefosine, originalmente desenvolvido como um agente anti-câncer para humanos e registrado para o tratamento de leishmaniose visceral humana, foi recentemente registrado para o tratamento oral da leishmaniose visceral canina em muitos países da Europa.
Com a sua atividade direta anti-parasitária que independe de um bom sistema imunológico do paciente, baixa toxicidade e facilidade de administração (oral), o miltefosine parece agrupar os requerimentos para tornar-se um bom fármaco a ser utilizado no tratamento da leishmaniose visceral canina.
Resolution of tongue lesions caused by Leishmania infantum in a dog treated with the association miltefosine-allopurinol.
Valentina Foglia Manzillo1 , Rosa Paparcone1 , Silvia Cappiello1, Roberta De Santo1, Paolo Bianciardi2, Gaetano Oliva1.
Address: 1 Department of Veterinary Clinical Science, Faculty of Veterinary Medicine, Naples, Italy. 2 Private Practitioner, Via dell’Usignolo, Milan, Italy.
From 4th International Canine Vector-Borne Disease Symposium
Seville, Spain 26-28 March 2009.
Parasites & Vectors 2009, 2(Suppl 1)56
Mato Grosso do Sul, Quinta-Feira, 11 de Agosto de 2011 - 17:26
Brasilândia não registra casos de leishmaniose em 2011
Cães são os maiores transmissores da doença - Foto: Divulgação
Desde o início deste ano, Brasilândia não registra nenhum caso de Leishmaniose Visceral. Os dados são confirmados pela Administração Municipal de Brasilândia, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, através do Núcleo de Epidemiologia e Controle de Vetores, que em conjunto com Núcleo Regional de Saúde, realizou ações de combate e controle da doença.


Foram realizados trabalhos de inspeção (mutirões de limpeza, retirada de criadouros de aves e suínos do perímetro urbano), palestras sobre educação e saúde e a capacitação de profissionais para atendimento de pacientes portadores da doença e um controle químico nas áreas de maior ocorrência dos casos em humanos. Outros cuidados foram tomados com os cães, como o levantamento da saúde dos animais, a retirada dos que estão contaminados e a colocação de coleiras impregnadas com alfacipermetrina nos não infectados.


O resultado foi a queda significativa de número de casos. De acordo com Ministério da Saúde, em 2007 foram registrados oito casos da doença em Brasilândia, em 2008, cinco casos, em 2009, apenas um caso e em 2010 também somente uma pessoa contraiu a doença. Até agora neste ano nenhum caso foi registrado.


O Prefeito de Brasilândia, Dr. Antônio de Pádua Thiago, parabeniza toda a população e os envolvidos no combate à doença e espera que continuem. “Peço para que todos continuem fazendo os exames em seus cães e utilizem as coleiras em seus animais, assim manteremos a leishmaniose longe de Brasilândia”, finaliza.


Fonte:
http://www.agorams.com.br/index.php?ver=ler&id=197158

Leishmaniose, entender para combater

Diversos mamíferos são susceptíveis de adquirir esta infecção quando picados pelo mosquito palha contaminado: o homem, o cachorro, gambás, ratos, cachorro do mato e outros. O importante é saber que nem todos desenvolverão a doença. Mesmo o homem, quando infectado, poderá desenvolver uma resposta imunológica apropriada e inibir a multiplicação do parasita, tornando-se imune e não infectante. É o que comprovam os inquéritos sorológicos em áreas endêmicas, onde encontramos para cada pessoa doente, até 30 pessoas SADIAS com reação positiva à leishmaniose, ou seja, os mosquitos picam muitas pessoas, mas apenas algumas terão resposta imunológica inadequada e ficarão doentes.

Infelizmente, os mais sujeitos são os desnutridos, as crianças menores de 5 anos, os idosos e aqueles com doença crônica debilitante (AIDS, Câncer), então, se simplesmente não fizermos nada, muitas famílias passarão maus bocados.

Com os cães dá-se a mesma coisa, alguns adoecerão e morrerão, outros estão ou ficarão imunes. Bem, vamos ao que interessa, já temos 23 estados da federação com casos humanos registrados. No ano de 2010 foram notificados 3643 casos, sendo destes, 202 no estado de São Paulo, onde encontramos o vetor (mosquito palha) em pelo menos 44 municípios da região oeste, sendo que a prevalência de cães infectados varia de 2,2 a 10,1%, mostrando que a Leishmaniose circula livremente por aí.

Vejamos como exemplo, como andam os casos da doença humana em Araçatuba (onde o primeiro caso foi notificado em 1999) conforme relatórios disponíveis no Portal da Saúde (www.saude.gov.br) para o período 2000-2009:

Ano

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009

Nº casos

30

42

69

78

37

43

5

0

33

18

À primeira vista, parece que as ações desencadeadas reduziram os casos humanos, mas era de se esperar então, que a ressurgimento de fatores locais, fizessem a doença recomeçar devagar. Estranho que ao atingir o sucesso desejado, os infatigáveis companheiros da saúde tivessem "relaxado" e a doença desse um salto de nenhum caso em 2007 para 33 casos em 2008! Entender o que aconteceu lá, pode nos ajudar a não repetir os fiascos por aqui.

Então, conforme orientações do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual de Saúde deve-se tentar controlar a expansão da doença através de identificação e tratamento precoce dos casos humanos, ações de bloqueio na e ao redor da moradia do caso índice (para eliminar a população de mosquitos) e controle dos reservatórios animais através do descarte de animais soropositivos, mas cada uma destas estratégias tem seus pontos positivos e negativos, vejamos:

Estratégia

Fatos favoráveis

Fatos desfavoráveis

Diagnóstico precoce de caso Humano

Quanto mais precoce o tratamento, menor o risco de morte.

O diagnóstico precoce nem sempre é fácil e mesmo feito, nem todos os pacientes alcançarão o sucesso terapêutico.

Ações de Bloqueio (fundamentadas basicamente na aplicação de inseticidas)

Reduzem grandemente a população de mosquitos e, portanto a transmissão da doença.

Agem durante certo período, mas, além dos efeitos adversos sobre o homem, devem ser reaplicados regularmente, sob pena de logo vermo-nos atacados pelos famintos mosquitos.

Descarte do animal positivo

Teoricamente, reduzir a população "reservatório" ajudaria a reduzir a circulação da Leishmaniose nos ambientes urbanos.

Como vimos, há outros animais reservatórios, e o animal soropositivo não necessariamente está doente ou é transmissor.

Com relação ainda à estratégia de descarte dos animais soropositivos temos ainda os fatos:

O animal que era domiciliado é rapidamente substituído, conforme podemos constatar em trabalho apresentado na Revista Brasileira de Medicina Tropical de setembro/outubro de 2007, ora, se o animal soropositivo era imune e, portanto, não transmissor, agora o animal jovem é susceptível, tem grandes chances de se infectar e transformar-se num reservatório rico em Leishmanias.

Some-se a isto o fato de que, embora os mais de 10 anos de eliminação sistemática pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Araçatuba, chegando às cifras em torno de 150.000 animais, não houve diminuição significativa do nº total de cães naquela cidade (atualmente cerca de 34.000), reforçando-se a observação de que o proprietário que tem seu animal apreendido pelo serviço de saúde, logo estará com outro animal em casa.

Quanto à população de animais errantes, representa de 2 a 3% da população total de cães, sua importância provavelmente está nas interações que faz com a população domiciliada, visto ser prática em nossa região, deixar nossos animais "livres", ao menos em alguns momentos do dia, para fazer suas necessidades na via pública, morder alguns transeuntes ou derrubar algum motociclista.

Para nosso castigo, eles também podem trazer alguma doença para dentro de casa: raiva, verminoses, leishmaniose, micoses e por aí a fora. Os errantes não irão servir de repasto para o mosquito palha que está domiciliado em nossa casa e, portanto não estão implicados diretamente na doença humana.

Seria preferível conhecermos o estado de saúde destes cães de rua, porque também aqui, simplesmente eliminando os que estão à nossa volta, abrimos espaço para aqueles que querem entrar na cidade e o ciclo se repete.

Não somos contra ao descarte de animais comprovadamente doentes, mas é preciso estabelecer nova estratégia de ação. Tomem como exemplo Portugal e Espanha. Lá existe alta prevalência de Leishmaniose visceral canina, chegando a 13% em cidades como Lisboa, existe o mosquito transmissor e mesmo assim, os casos humanos são excepcionais. Qual seria a diferença? O melhor estado nutricional da população?, a limpeza do domicilio?, o hábito de não deixar os animais soltos? Provavelmente um pouquinho de cada coisa, não há país ou povo perfeito, em todos os recantos podemos nos deparar com a sujeira, a pobreza ou a falta de conhecimento, mas uma coisa é certa, lá eles consideram viável tratar o animal doente, deixam como opção do proprietário, porque naturalmente demanda tempo e dinheiro, mas eles já tem inúmeros trabalhos comprovando que o animal tratado não é mais infectante e assim ficamos todos tranqüilos.

Também lá orientam muito no sentido da prevenção: prender o animal de 16 às 10 horas, vacinar o animal, usar coleira repelente (Scalibor) e se o proprietário não dispõe de outro horário para passear com seu fiel amigo exceto a noite, então uma proteção adicional borrifando o animal com repelente à base de Citronela.

Fazendo isto e mantendo nosso quintal limpo de matérias orgânicas, dificilmente o mosquito palha irá se estabelecer ao nosso redor!!

Então mãos à obra.

Dr. Fred Lizidatti

Fred Charles Turner Lizidatti, Médico Intensivista, 51 anos, casado, 2 filhas, morando em Santa Fé do Sul há 12 anos.

- Atualmente, médico coordenador e plantonista do Pronto Socorro de Santa Fé do Sul;

- Médico plantonista na UTI da Santa Casa de Fernandópolis (quinzenalmente);
- Também é médico da Secretaria Municipal de Saúde, e Serviço de Vigilância Sanitária;

Enfim uma luz no túnel



PROJETO DE LEI Nº , DE 2011
(Do Sr. Geraldo Resende)


Dispõe sobre a Política Nacional de
Vacinação contra a Leishmaniose animal.
O Congresso Nacional decreta:
Art. 1º Fica instituída a Política Nacional de Vacinação
contra a Leishmaniose animal com a finalidade de prevenir e controlar a
doença.
Parágrafo único. A política a que se refere o caput deste
artigo será desenvolvida de forma integrada e conjunta entre os órgãos
competentes da União, Estados, Distrito Federal e Municípios.
Art. 2º A Política de que trata o art. 1º desta Lei
compreende as seguintes ações, entre outras.
I – Campanha de divulgação, tendo as principais metas:
a) elucidação sobre as características da doença e seus
sintomas;
b) precauções a serem tomadas pelos proprietários dos
animais;
c) orientação sobre a vacinação.
II – Campanha de vacinação gratuita dos animais.2
Art. 3º A vacinação contra a leishmaniose é obrigatória e
gratuita em todo o território nacional.
Parágrafo único. A vacinação de que trata o caput deste
artigo poderá ser feita gratuitamente nas campanhas anuais promovidas pelos
órgãos responsáveis pela prevenção e controle da zoonose.
Art. 4º Os cães e gatos infectados pela leishmaniose
poderão receber tratamento em clínicas particulares.
Parágrafo único. No caso de inexistência de
medicamentos específicos para os animais, os médicos veterinários poderão
utilizar remédios destinados ao combate da doença em seres humanos.
Art. 5º Caberá aos órgãos competentes da União,
Estados, Distrito Federal e Municípios:
I – fiscalizar as condições de conservação e distribuição
das vacinas oferecidas ao comércio, podendo apreender, condenar e inutilizar
as que forem consideradas duvidosas ou impróprias para o consumo.
II – suspender temporariamente ou cessar o
credenciamento dos revendedores de vacinas contra a leishmaniose que não
cumprirem a legislação.
Art. 6º As despesas decorrentes da execução desta Lei
correrão à conta das dotações orçamentárias próprias, suplementadas se
necessário, bem como os recursos provenientes de convênios, acordos ou
contratos celebrados com entidades, organismos ou empresas.
Art. 7º Esta lei entra em vigor decorridos 90 (noventa)
dias de sua publicação.
JUSTIFICAÇÃO
A leishmaniose é uma doença parasitária transmitida pela
picada do mosquito infectado, conhecido, dependendo da localidade, como
mosquito-palha, tatuquira, birigui, cangalinha, asa branca, asa dura e palhinha.3
É uma doença que afeta principalmente cães, mas
também animais silvestres, gambá ou saruê e urbanos como gatos, ratos e
seres humanos. Estima-se, entretanto, que, para cada caso em humanos, há
uma média de 200 cães infectados.
Há dois tipos de leishmaniose: leishmaniose tegumentar
ou cutânea e leishmaniose visceral ou calazar. A primeira caracteriza-se por
feridas na pele que se localizam principalmente nas áreas expostas do corpo. A
leishmaniose visceral, por seu turno, é uma doença sistêmica, pois ataca vários
órgãos internos.
A leishmaniose é considerada pela Organização Mundial
de Saúde (OMS) uma das seis maiores epidemias de origem parasitária do
mundo. Entretanto, focos de leishmaniose visceral canina seguem expandindose.
Na América Latina, por exemplo, a zoonose existe em 12
países, sendo que 90% dos casos acontecem no Brasil.
Importante salientar que a leishmaniose visceral canina é
considerada mais importante que a doença humana, vez que, além de ser mais
prevalente, há um enorme contingente de cães infectados com o parasita
cutâneo, servindo como fonte de contaminação para os mosquitos vetores. Por
isso o cão doméstico é o principal reservatório do parasita.
No Brasil, os cães comprovadamente acometidos pela
zoonose são encaminhados à eutanásia.
Sobre o assunto, vale transcrever trecho do artigo da
médica veterinária, Sonia Faria, da Universidade Federal do Ceará, quando
assim se expressou:
“A expansão da doença canina e seu potencial zoonótico
levaram, por parte das autoridades sanitárias, o direcionamento do controle
para a população canina, baseado no inquérito sorológico e sacrifício dos cães
positivos. Com a argumentação de que a carência econômica existente no
país aumenta o contingente de humanos susceptíveis, em decorrência
principalmente da desnutrição e condições inadequadas de vida, o sacrifício
dos cães tem sido nas últimas 4 décadas a base de controle adotada no Brasil.
Esta prática é hoje inaceitável na Europa e cada vez mais contestada pelos
proprietários de cães e pela comunidade de veterinários de pequenos animais,
sobretudo pelo crescente número de publicações científicas sobre o tratamento
canino.4
Os esforços para o controle dos vetores são direcionados,
principalmente para as formas adultas dos flebótomos, pois os criadouros da
maioria das espécies são ainda desconhecidos. O uso de inseticidas residuais
no interior das casas e abrigos de animais é considerado eficiente para reduzir
a população peridoméstica dos flebótomos e consequentemente a transmissão
parasitária. Entretanto o efeito é temporário e exige um programa contínuo. No
Brasil as ações de controle do vetor foram sempre descontínuas por diversas
razões. A liberação de verbas, a alocação e contratação de mão-de-obra
dependem de decisões políticas orçamentárias. Os programas que são
implementados não surtem o efeito esperado e como consequência ocorre a
reinfestação dos ambientes e reaparecimento de casos humanos e caninos de
calazar. Ainda não foram relatados, no Brasil, casos de resistência aos
inseticidas comumente utilizados.
A eutanásia de cães soropositivos é uma medida de
controle recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), contudo a
própria entidade reconhece que existem cães de grande valor afetivo,
econômico e prático e por isso não podem ser indiscriminadamente destruídos.
Profissionais ligados aos órgãos públicos de controle a leishmaniose visceral
observam que o momento da busca do cão para eliminação é carregado de
forte componente emocional, significando a determinação da “sentença de
morte” para um “membro da família” dada a significância que o cão tem no
ambiente familiar. Este sentimento faz com que muitos proprietários de cães
não aceitem esta estratégia de controle, proporcionando alto índice de recusas,
contribuindo para a manutenção da cadeia de transmissão. São necessárias,
adoção de medidas alternativas que possam suprimir esta lacuna no controle,
além de diminuir o ônus emocional que a mesma representa.
Entretanto, a resistência por parte dos proprietários em
entregar os cães para a eutanásia, baseia-se não somente no papel que o cão
assume no contexto familiar. Principalmente nos meios urbanos, estes animais
executam diversas funções como: guarda, salvamento, guia de paraplégicos,
prática de esportes, repressão à criminalidade e ao tráfico de drogas, além do
valor cinófilo de alguns exemplares.
O conhecimento de que a doença canina não é
uniformemente fatal e que alguns cães podem apresentar cura espontânea,
levou a comunidade científica médico-veterinária à experimentação de
tratamento dos animais. Os resultados obtidos conduziram a protocolos bem 5
sucedidos já aplicados em alguns países. A OMS reconhece que a eutanásia
dos cães infectados, na maioria dos países, se reserva cada vez mais para
casos especiais, como resistência aos fármacos, recaídas repetidas ou
situações epidemiológicas perigosas, pois a maioria dos veterinários preferem
administrar um tratamento antileishmaniótico, acompanhando atentamente as
recaídas.
Os mesmos estudos indicam que a opção pela eliminação
de cães, deveria ser em escala de importância, a terceira medida adotada.
Outra crítica a esta opção, é a pouca agilidade observada entre a coleta de
material, realização no diagnóstico e a ação de busca de cães infectados e sua
eliminação, caso fosse realizada de forma ideal, isto é, baseada em melhores
técnicas diagnósticas de forma ágil, poderia resultar em algum impacto sobre
a transmissão, porém apenas de forma linear. Neste contexto, os autores
verificaram que o tratamento canino reflete significado semelhante ao do
sacrifício no controle de leishmaniose visceral canina.”
A proposição que ora submetemos à apreciação do
Congresso Nacional intenta, portanto, instituir a Política Nacional de Vacinação
contra a Leishmaniose, prevendo a vacinação anual de animais, a exemplo do
que já ocorre no caso da vacina antirrábica, com a finalidade de evitar a
contaminação e o sacrifício dos animais contaminados, além de tornar
facultativo o tratamento dos animais infectados.
Como bem salienta o médico veterinário, PAULO
TABANEZ, mestre em imunologia pela Universidade de Brasília – UnB, “os
gastos empregados na realização da captura, exames e eutanásia poderiam
ser direcionados para a formação de uma equipe capacitada para o combate
ao mosquito, com campanhas direcionadas à população como é feito com o
mosquito da dengue. E lembrando mais uma vez: não é apenas o cão que
pode ser infectado pela leishmania, o homem e os ratos no meio urbano
também são. É mais racional e inteligente combater o mosquito ou exterminar
todos os cães, os ratos e os humanos infectados pela doença como forma de
controle?
Outro fato de extrema importância foi uma Ação Civil
Pública impetrada por uma organização protetora de animais em Mato Grosso
do Sul, em que a mesma conseguiu autorização para o tratamento de cães
com leishmaniose, portanto, já existe jurisprudência no Brasil permitindo o 6
tratamento. O Ministério Público Federal de Mato Grosso do Sul também
recomendou aos Ministérios que revoguem a portaria que não permite o
tratamento, com medicação humana, de cães infectados; portanto, TRATAR
CACHORRO COM LEISHMANIOSE NÃO É CRIME!”
E acrescenta: “O certo é que as autoridades sanitárias
dos municípios, dos estados e do governo federal precisam agir e investir
maciçamente no esclarecimento, educação e conscientização da população,
dos tutores de animais e, inclusive, dos médicos humanos e veterinários,
visando à prevenção da disseminação da doença. Há a necessidade de
ampliar os estudos para realmente comprovar que animais tratados e mantidos
sob controle não representam risco para a população humana; também é
necessário extinguir, definitivamente, métodos primitivos e desumanos de
combate à doença, como o extermínio em massa de cães.”
Por isso é que, pela importância e conveniência,
apresentamos o presente projeto de lei, esperando seja acolhido e
aperfeiçoado pelos nossos nobres Pares.
Sala das Sessões, em 29 de junho de 2011.
Deputado GERALDO RESENDE
PMDB/MS
 
Web Statistics