sábado, 1 de agosto de 2009

Transmissão sexual e congênita de leishmaniose visceral canina

O Blog discute!

Há pouco tempo postamos uma dúvida de um leitor sobre possibilidade de transmissão venérea na leishmaniose canina: “O meu cão tem leishmaniose e a minha cadela está prenha dele, há risco de contágio para ela e para os filhotes? E se a fêmea tiver a doença, ela pode transmitir também aos filhotes?”

Pois bem, pesquisando mais sobre o assunto de transmissão venérea e reprodução animal, encontrei vários trabalhos na área que valem a pena ser lidos na íntegra!

Também discutimos muito sobre a doença pertencer ao grupo de doenças negligenciadas e sobre a crise em Pesquisa e Desenvolvimento de Drogas para essas doenças; sobre a necessidade de mais estudos, maiores trabalhos científicos, etc.

O projeto de pesquisa dos professores da Veterinária da PUC Minas, que tem como conteúdo um assunto pioneiro sobre as características seminais de cães com LVC antes e após protocolo de tratamento foi apresentado à FAPEMIG (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais), que tem como objetivo o apoio financeiro à execução de projetos de pesquisa, que apresentem mérito científico ou relevância para as políticas públicas do Estado de Minas Gerais. O projeto foi INDEFERIDO, segundo a instituição: “A proposta não se enquadra dentro do item 3.7.1 do edital. O escopo do projeto é verificar se existe transmissão venérea da leishmaniose por cães infectados com leishmania visceral. Anota-se de que a legislação brasileira não contempla o tratamento de cães com leishmaniose visceral e sim a eutanásia por tratar-se de zoonoses com alta implicação social. Não tem relevância para Minas Gerais e vai contra à legislação vigente no País no que tange a esta parasitoses.”

Bom de qualque forma, segue materiais sobre o assunto, que para nós, é relevante!

1) PROJETO DE PESQUISA

Um projeto de pesquisa da UFMG que tem por objetivo investigar as características seminais de cães com leishmaniose visceral antes e durante o tratamento com Alourinol e Anfotericina B. Essa pesquisa, produzida pelos professores da Veterinária da PUC Minas em Betim Guilherme Ribeiro Valle, Milene Alvarenga Rachid e Vitor Márcio Ribeiro e a aluna Viviane Pedersoli Assis, é uma proposta pioneira, com publicação e destaque na revista científica internacional Animal Reproduction Science, com a publicação on-line do artigo.

A importância dessa assunto para comunidade de pesquisadores, além de ser inédita, gera desdobramentos importantíssimos, seja para transmissão da doença ou para condução dos tratamentos.

A pesquisa foi realizada utilizando o sêmen de 9 animais acometidos por leishmaniose visceral canina (LVC), colhido e examinado antes e ao longo do tratamento, e o resultado revelou que o tratamento da doença reduz parcialmente a fertilidade do animal.

Saiba mais:

Artigo 1 e Artigo 2 – Características seminais de cães com leishmaniose visceral antes e durante o tratamento com Alourinol e Anfotericina B

Linha de Pesquisa - Leishmaniose e seu envolvimento com a reprodução canina

2) TESE DE DOUTORADO

Trabalho de pesquisa – Tese Doutorado - Lesões genitais em cadelas naturalmente infectadas com leishmania chagasi e soroconversão de cadelas acasaladas com cães portadores.Fabiana Lessa Silva;Renato de Lima Santos; Wagner Luiz Tafuri.

A transmissão da leishmaniose visceral ocorre principalmente na presença do hospedeiro invertebrado, embora existam relatos de transmissão na ausência do vetor, inclusive a transmissão venérea na espécie humana. Considerando a importância de vias alternativas de transmissão para o controle da doença, este estudo teve como objetivos (i) caracterizar as lesões genitais e detectar Leishmania sp. em cadelas com leishmaniose visceral e (ii) verificar a ocorrência de soroconversão e a presença de amastigotas nos tecidos e órgãos de cadelas livres de Leishmania acasaladas com cães que eliminavam Leishmania sp. no sêmen.

Saiba mais (aqui)

3) TRABALHO CIENTÍFICO

Esse trabalho descreve o aparecimento de uma massa no pênis de um cão, sem raça definida, confirmada como Tumor Venéreo Transmissível Canino parasitado pelo protozoário Leishmania sp. O diagnóstico foi feito a partir da observação de formas amastigotas do parasito no citoplasma de macrófagos da massa tumoral por meio de citopatologia.

Trabalho - TUMOR VENÉREO TRANSMISSÍVEL CANINO PARASITADO POR FORMAS AMASTIGOTAS DE Leishmania sp - RELATO DE CASO.

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