

O Blog Responde: Se na Europa e em todos os outros países do mundo os cães são tratados, por que motivo no Brasil não podemos?
Sim, nós podemos! Em inglês: Yes, We can! Em italiano: sì possiamo! Em japonês: はい私達はできる, Em espanhol: podemos sí!
O tratamento existe há muitos anos e a portaria não tem embasamento legal para a Portaria Interministerial n. 1.426, de 11 de julho de 2008, porque é direito do médico veterinário prescrever tratamento que considere mais indicado, bem como utilizar recursos humanos e materiais que julgar necessários ao desempenho de suas atividades. Além disso, portaria é um ato administrativo que não pode inovar, legislar, ou seja, precisa ser baseada em lei…
Segundo Vítor Ribeiro , o professor de Doenças Infecto-Contagiosas e Parasitárias de Cães e Gatos da Escola de Veterinária da PUC de Minas Gerais (PUC-Minas), existe um mito de que o uso de medicamentos comuns causem resistência no tratamento. Só que há 50 anos a Europa trata seus cães com Glucantime e nenhum tipo de risco foi detectado. Aliás, é o remédio preferido na Espanha, Portugal, França e Itália. “ O que falta é informação, conhecimento e atualização dos veterinários para as comprovações científicas e clareza sobre os fatos”, defende o professor. Ele explica que o tempo de tratamento vai depender de cada caso e que a possibilidade de cura é real. Iniciada a medicação, os ferimentos saem e o cão deixa de ser um transmissor. São várias as opções de tratamento e prevenção disponíveis e a eutanásia deve ser o último recurso …
Na Europa, autores têm demonstrado a eficácia do tratamento da LVC na redução da prevalência da doença canina em regiões onde ele é utilizado como forma de controle, e até neutralização da capacidade infectante de cães tratados, por meio de exames imunohistoquímicos da pele e xenodiagnósticos negativos. Também há remédios específicos para o tratamento em cães, alguns usados há pelo menos 40 anos. Lá, também foi criada uma ração terapêutica para os animais infectados.
No Brasil, a importação das drogas para tratamento dos cães ainda não foi aprovada pelo Ministério da Agricultura (responsável por este tipo de trâmite). No entanto, tratamentos com drogas alternativas vêm sendo realizados por veterinários de outros estados e do interior de São Paulo com sucesso.
Modelos matemáticos de transmissão de Leishmania sugerem a utilização de insecticidas e de vacinas como as medidas mais adequadas para controlar a LV e impedir que os cães de se tornem reservatórios do parasita.
Segundo a portaria, não existe até o momento fármacos ou terapias que garantam a eficácia do tratamento canino, bem como a redução do risco de transmissão. Essa argumentação é falsa e facilmente rebatida pela comunidade internacional de médicos veterinários. “A falta de capacidade do governo para enfrentar adequadamente o problema é latente. Ao invés de investir em políticas públicas de prevenção, como o combate ao mosquito transmissor, parece ser mais fácil editar uma norma nazista que não deixa saída para o melhor amigo do homem”, afirma o presidente da ARCA Brasil, Marco Ciampi.
A quimioterapia das leishmanioses está mais promissora atualmente do que há alguns anos, com novas drogas e novas formulações para as drogas que já vinham sendo utilizadas. A partir dos anos 90, o tratamento da LVC deu um salto de qualidade muito grande, ancorado principalmente no desenvolvimento de metodologias de diagnóstico mais precisas, em protocolos terapêuticos mais adequados, na associação com terapias de suporte eficientes e individualizadas, e em proprietários mais conscientes e colaboradores, o que permitiu o sucesso na resposta ao tratamento dos cães. O desenvolvimento de anfotericina B encapsulada em lipossomas (AmBisome) tem mostrado bons resultados, com cura de 90-95% na Índia. O miltefosine, uma droga desenvolvida como um agente antitumoral, mostrou 95% de cura efetiva em estudo no calazar indiano. Esta droga apresenta a vantagem de ser de uso oral e bem tolerada, embora seja potencialmente teratogênica, o que limita a sua utilização por grávidas e nutrizes. As novas drogas, principalmente AmBisome e miltefosine, têm mudado o perfil do tratamento da LV…
No caso do Brasil, as coisas acontecem sempre de uma forma diferente. Não é que aqui não funcione, porque teoricamente, as estratégias de controle parecem adequadas, mas na prática a prevenção de doenças transmissíveis por vetores biológicos é bastante difícil, ainda mais quando associada à existência de reservatórios domésticos e silvestres e aos aspectos ambientais, incluindo aspectos físicos de utilização do espaço habitado.
O entendimento das interações entre mudanças do meio ambiente urbano e os flebotomíneos vetores constituem um pré-requisito para o desenvolvimento de ações apropriadas de prevenção e estratégias de controle. Um dos fatores de risco mais importantes na aquisição da LV é a exposição ao inseto vetor. Lutzomyia longipalpis é uma espécie que se perpetua em diferentes biótopos e nenhuma outra espécie de flebotomíneo do Novo Mundo é tão sinantrópica.
O controle do vetor tem sido baseado no uso de inseticida direcionado para as formas adultas, uma vez que os criadouros da espécie são pouco conhecidos.
No Brasil, estas ações foram sempre descontínuas por diversas razões, tais como problemas orçamentários e escassez de recursos humanos adequadamente treinados. Estas medidas não atingiram os efeitos esperados, ocorrendo reinfestações dos ambientes e ressurgimento de casos humanos e caninos de LV.
Também foram tentadas experiências baseadas no controle do vetor e centradas no reservatório canino, como os experimentos recentes com coleiras impregnadas com deltametrina, que têm mostrado resultados promissores na proteção dos animais, com conseqüências na transmissão.
O impacto do controle canino através da remoção e sacrifício dos cães soropositivos tem sido discutido por se mostrar trabalhoso e de eficácia duvidosa
Soma-se a isso, as dificuldades técnicas e operacionais, a necesisdade de melhor discussão de estratégias de intervenção e tentam definir as áreas prioritárias de pesquisa.
De fato há que se valorizar e incentivar novas investigações e pesquisas aplicadas como fontes importantes de informações para subsidiar o Programa de Controle da LV no Brasil.
Fontes:
Leishmaniose Visceral no Brasil: quadro atual, desafios e perspectivas (pdf) - Célia Maria Ferreira Gontijo e Maria Norma Melo;
Acesso ao site Arca Brasil;
Blogs LVC
O que há de novo ???
Estamos sempre comentando que as Leishmanioses fazem parte do grupo de doenças negligenciadas, já que por muitos anos, desde a década de 50, o tratamento ficou estagnado.
Já citamos também vários trabalhos que estão em andamento e são pioneiros, nos trazendo grande contribuição.
Por isso também não podemos deixar de falar que houve avanços significativos nos últimos 10 anos. Alguns avanços relacionados à novas drogas e outras ao melhor conhecimento da doença e das propriedades farmacocinéticas das drogas já utilizadas.
Vamos falar um pouquinho desses progressos…
1) Forma de liberação dos medicamentos
A utilização da maioria dos compostos terapêuticos tem sido limitada pela impossibilidade de aumento da sua dosagem em razão da retenção ou degradação do fármaco, de sua baixa solubilidade e dos efeitos colaterais indesejáveis inerentes à sua utilização. Esse problema despertou o interesse no desenvolvimento de sistemas capazes de transportar um composto terapêutico até um alvo especifico.
Os lipossomas foram descobertos no início da década de 60, através de estudos da hidratação de filmes lipídicos depositados nas paredes de um frasco de vidro. Tal experimento foi realizado pelo Dr. Alec Bangham. Eles são vesículas constituídas de uma ou mais bicamadas fosfolipídicas orientadas concentricamente em torno de um compartimento aquoso e servem como carreadores de fármacos, biomoléculas ou agentes de diagnóstico. A estabilidade dos lipossomas pode ser afetada por fatores químicos, físicos e biológicos. Após administração intravenosa, lipossomas convencionais são rapidamente capturados pelo sistema fagocitário mononuclear.
Na Leishmaniose, o grande interesse é a forma de liberação dos medicamentos, por isso, a terapia com lipossomas é de grande importância. Estudos independentes demonstraram que são necessárias doses 700 vezes menores para reduzir 50 % da carga parasitária, quando compara-se a droga lipossomal à droga livre. Isto é, o aumento de 200 a 700 vezes na eficácia de antimoniais pentavalentes encapsulados em lipossomas. Este fato pode ser atribuído à captura dos lipossomas pelos órgãos (fígado, baço e medula óssea) e células (os macrófagos teciduais) nas quais se localizam os parasitas causadores da doença.
Lipossomas de tamanho reduzido contendo antimoniato de meglumina apresentaram aumento no direcionamento para a medula óssea de cachorros com leishmaniose visceral e alta retenção de antimônio nesse tecido, quando comparado com o tratamento com o fármaco livre e a com relação à formulação lipossômica com tamanho de vesículas maiores.
Estudos experimentais com anfotericina associada à lípides têm promessa de bons resultados; um exemplo é o estudo realizado com lipossomas de anfotericina B contra leishmaniose visceral da região do Mediterrâneo, que revelou a eficácia do tratamento de 31 pacientes imunocompetentes com doses de 20 e 30 mg/Kg dadas durante 10 ou 21 dias, sem significativos efeitos adversos.
Assim, os lipossomas convencionais apresentam-se como sistemas ideais para direcionar drogas leishmanicidas para o local da infecção.
2) Aminoquinolonas
A natureza das aminoquinolonas tem a capacidade de afetar a morfologia, a integridade e a motilidade do parasito, apresentando assim, alta eficácia, principalmente sobre formas promastigotas do parasito. Em estudos experimentais, somente 4 entre 8 pacientes foram curados após 4 semanas de terapia contra Leishmania, mesmo administrando-se altas doses da droga.
3) Terapias combinadas
A eficácia para algumas associações é comprovada no tratamento de leishmaniose visceral, mesmo que ainda há poucas informações sobre as alterações bioquímicas na hora da escolha das drogas.
Nos casos de leishmanioses em que é necessário longo tratamento com antimônio, a justificativa é o menor custo econômico. Embora existam alguns estudos mostrando eficácia da associação de alopurinol e antimônio contra leishmaniose visceral, existem outros que questionam esta terapia.
4) Inibidores da biossíntese de esteróis
A semelhança da biossíntese e do metabolismo dos esteróis nas espécies de Leishmanía e nos fungos fornece a base bioquímica para a atividade leishmanicida de medicamentos como o ketoconazol e de outros imidazólicos e antifúngicos in-vitro. A biossíntese de esteróis é alvo da ação da anfotericina B e parece também que as etapas intermediárias são sensíveis aos agentes antifúngicos. Assim, sua atividade se deve ao bloqueio da síntese de produtos essenciais para o parasito, bem como acúmulo de compostos intermediários tóxicos. Investigações demonstraram bons efeitos com cetoconazol, porém a inibição pode ser compensada pela captação do colesterol do hospedeiro. Os agentes antifúngicos podem ter papel no tratamento de leishmaniose cutânea. Um outro estudo mostra que clotrimazol é mais eficaz que miconazol. Embora existam reportagens de potenciação entre sistemas de inibição da biossíntese de esteróis, não há comprovação clínica desse fato.
5) Análogos das purinas
Sabe-se que a enzima responsável pela regeneração de purinas em protozoários possui grande afinidade pelo alopurinol, que é então incorporado na síntese do material genético, levando a disfunção de proteínas. Essa droga tem sido muito estudada, mas os resultados não são satisfatórios, provavelmente devido à sua rápida excreção.
6) Imunoterapia
A combinação entre antimoniais e interferon-gama ou alopurinol, tem sido proposta como alternativa para melhora da eficácia terapêutica destes compostos. Há evidências de que o interferon pode ativar macrófagos para matar a leishmania intracelular. Ele tem sido utilizado em conjunto com antimônio contra a doença visceral. Pacientes que não respondem ao tratamento com antimônio ou que não foram tratados anteriormente evoluem bem com esse tratamento combinado. Em um tratamento alternativo, obteve-se sucesso usando um fator de estimulação para colonização de macrófagos humanos recombinantes em associação com antimônio, com completa resolução da carga parasitária em 3 meses.
QUER SABER MAIS?
1. ARAUJO,C.;CUSTÓDIO, F.B; PESSOA. A. Tratamento da Leishmaniose.
2. Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas - Brazilian Journal of Pharmaceutical Sciences. Vol. 43, n. 2, abr./jun., 2007.
3. GIL, E.S.; PAULA, J.R.; NASCIMENTO, F.R.F.; BEZERRA, J.C.B. Produtos naturais com potencial leishmanicida (pdf)
4. Acesso Cadernos temáticos de química (pdf)
Quem é o vilão da Leishmaniose? O cão ou o mosquito?
Vamos falar em Agente Etiológico? Agente etiológico: é o agente causador ou responsável por uma doença. Pode ser vírus, bactéria, fungo, protozoário ou helminto. A Leishmaniose tem como agente etiológico um PROTOZOÁRIO. As Leishmanioses são grupos de doenças causadas por protozários de gênero Leishmania. No Brasil, a Leishmaniose é causada pelo protozoário da família tripanosomatidae, gênero Leishmania, espécie Leishmania chagasi. Seu ciclo evolutivo é caracterizado por apresentar duas formas: a amastigota, que é obrigatoriamente parasita intracelular em vertebrados, e a forma promastígota, que se desenvolve no tubo digestivo dos vetores invertebrados e em meios de culturas artificiais.
Vamos falar em Vetor? Vetores são seres vivos que servem como intermediários da transmissão de doenças. Eles carregam o parasita (no caso o protozoário) e fazem a transmissão deles para outros seres. Geralmente os vetores são artrópodes (insetos e aracnídeos) ou roedores. Portanto, os vetores são mosquitos flebotomineios do gênero phbotomus no mundo antigo e lutamomyia no mundo novo. É um mosquito medindo em torno de 2 a 3 mm, de hábito peridoméstico e intradomiciliar e seu criadouro é feito na matéria orgânica úmida. Possuem a chamada peça bucal bem desenvolvida em forma de trompa, necessária para o ato de sugarem sangue, que é o alimento apenas das fêmeas desse inseto, já que os machos nutrem-se de seiva de plantas. Têm também o corpo revestido por formações quitinosas com a forma de pêlos e coloração amarelada, o que lhes dá aspecto de areia ou palha de milho, daí seu nome no Brasil de Mosquito palha. As fêmeas depositam seus ovos em locais úmidos e escuros, como tocas de tatus e outros animais silvestre, ou fendas do solo e cavernas com pouca luz. De cada ovo gerado com as reservas nutritivas próprias, nascem em geral quatro larvas ao cabo de 4 a 6 semanas. Estas evoluem para a fase de pupa que ao fim de aproximadamente 10 dias eclodem dando nascimento ao inseto adulto alado.
Vamos falar em hospedeiro? O hospedeiro é um organismo que abriga um parasita. O mosquito-palha, é um hospedeiro-intermediário do protozoário e também o vetor da doença causada por esse protozoário. Os hospedeiros do protozoário são restritos a espécies de flebotomíneos hematófagos (Ordem Díptera, Família Psychodidae Sub-Família Phlebotominae), especialmente à subspécie Lutzomya longipalpis e ao gênero Phlebotomus. Portanto, a Leishmaniose tem como hospedeiro, o homem, o cão e uma variedade de animais silvestres. O hospedeiro intermediário é o mosquito. Pelo de fato das fêmeas desses insetos alimentarem-se exclusivamente de sangue, e com a particularidade de buscarem suas vítimas sempre ao entardecer, na hipótese dessas vítimas quer sejam animais mamíferos ou o homem estarem contaminados pelo agente causador da Leishmaniose, encontrarão nesses insetos o hospedeiro intermediário para completarem seu ciclo biológico e tornando-se esses mosquitos vetores para a Leishmaniose, dando assim continuidade a través de futuras picadas do inseto a novas vítimas desse terrível mal.
Vamos falar em reservatório? Reservatório é qualquer local, vegetal, animal ou humano onde vive e multiplica-se um agente etiológico e do qual é capaz de atingir outros hospedeiros, independentemente de apresentar ou não os sintomas. Na leishmaniose, os reservatórios são vários mamíferos silvestres (como a preguiça, o gambá e alguns roedores, dentre outros) e domésticos (cão, cavalo etc.). Entre esses hospedeiros, alguns têm um papel preponderante na manutenção do parasito na natureza e são então chamados de reservatórios. No contexto epidemiológico, os reservatórios representam a principal fonte de infecção dos flebotomíneos que posteriormente transmitirão a doença ao homem. O cão doméstico é considerado o reservatório epidemiologicamente mais importante para a leishmaniose visceral, nas áreas urbanas e no nosso contexto. Para que ocorra a transmissão, o reservatório deve possuir parasitismo de pele ou sangue periférico.
Nas regiões próximas ao Mar Mediterrâneo o cão é o principal reservatório. No Oriente Médio, o chacal e o cão são as principais fontes de infecção. Na Índia, por outro lado, o homem é o reservatório principal, não se têm encontrado cães ou outros animais infectados e a transmissão ocorre de um a outro homem por meio do flebótomo. No Sudão, são encontrados animais reservatórios, mas a transmissão se dá homem a homem através do vetor. Na China ocorre a transmissão entre seres humanos através do vetor e também com reservatórios animais, dependendo da região.
A culpabilização do cão é algo que precisa ser melhor elaborado. A importância do cão como fonte de infecção para o vetor, está relacionado à presença do parasita na pele do animal, que pode não manifestar os sintomas da doença. No entanto, muitos estudos têm demonstrado fraca correlação espacial entre a incidência cumulativa de leishmaniose humana com a soroprevalência canina e que o tratamento dos cães, somados à medidas de prevenção (como as coleiras repelentes) reduz carga parasitárias desses animais, diminuindo o risco de transmissão.
Portanto, é preciso ainda muitas pesquisas envolvendo outros fatores como: capacidade e densidade vetorial, taxa de parasitemia animal, vulnerabilidade do susceptível e revisão de conceitos como o papel do vetor, do cão e do homem na cadeia de transmissão, o potencial de impacto sobre a transmissão e a intervenção sobre os elos da cadeia epidemiológica.
De que jeito se pega a Leishmaniose?
A leishmaniose é uma doença não-contagiosa. Doenças não-contagiosas não são transmitidas por contato direto, por alimentos contaminados, por tosse ou espirro, pelo ar, pela saliva, por contato íntimo, ou por intermédio de lesões cutanêas ou ferimentos…
Há relatos de transmissão dos parasitas por transfusões de sangue ou agulhas contaminadas. Também já foi registrados casos de transmissão congênita, da mãe grávida - portadora do parasita-, para o bebê.
O jeito mais comum de uma pessoa pegar leishmaniose visceral é pela picada da fêmea do mosquito (que esteja infectado pelo protozoário Leishmania, o agente causador da doença), que dependendo da localidade, recebem nomes diferentes, tais como: mosquito palha, tatuquira, asa branca, cangalinha, asa dura, palhinha ou birigui. Por serem muito pequenos, estes mosquitos são capazes de atravessar mosquiteiros e telas. São mais comumente encontrados em locais úmidos, escuros e com muitas plantas. As pessoas dificilmente percebem a presença dos mosquitos porque eles não fazem barulho ao voar, são muito pequenos e as picadas são indolores.
Portanto, não se pega a Leishmaniose, combatendo o principal vetor do doença: o mosquito!
Ao contrário da Leishmaniose, a doença do não ver, não ouvir e não saber é altamente contagiosa. Essa sim, é mais difícil de combater…
A malvada da Leishmaniose
Pouco mais de sete décadas depois de ter sido descrito pelo médico Evandro Chagas em um artigo na Science como o causador de uma nova forma de leishmaniose visceral, distinta da observada na Europa e na Índia, o parasita Leishmania chagasi e o inseto que o transmite aos seres humanos no Brasil continuam a desafiar pesquisadores e autoridades públicas da saúde. Nesse período a população brasileira, que até o início do século passado era eminentemente rural, tornou-se urbana – hoje oito de cada dez brasileiros vivem na cidade – e migrou de uma região a outra atrás de trabalho. Para que as cidades surgissem foram consumidas 30% das matas do país, ambiente natural do parasita da leishmaniose, encontrado em animais como o cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) e a raposa-do-campo (Lycalopex vetulus), e de seu transmissor, o inseto Lutzomyia longipalpis. Analisando a dispersão da leishmaniose visceral, a epidemiologista Vera Lucia Camargo Neves, pesquisadora do CVE, constatou que a cada ano o parasita migra 30 quilômetros em direção a São Paulo, transportado por um inseto de apenas três milímetros e pernas e asas peludas: o Lutzomyia longipalpis, conhecido como mosquito-palha, birigüi, cangalha ou tatuquira.
As três principais medidas de controle adotadas há meio século – uso de inseticidas, eliminação de cães doentes ou suspeitos de estarem infectados e tratamento dos casos humanos – não têm se mostrado capazes de conter a expansão da doença. O pesquisador Costa, da UFPI, diz que a leishmaniose visceral mata cerca de 200 pessoas por ano, mais do que a malária e a dengue juntas, e é mais difícil controlá-la do que se havia pensado.
O parasitologista inglês Jeffrey Jon Shaw, que há 43 anos mora no Brasil e estuda o ciclo de vida dos protozoários do gênero Leishmania e de seus transmissores, acredita que o inseto transmissor da leishmaniose visceral se adaptou muito bem às cidades. “Estamos criando ambientes propícios à proliferação do vetor, como umidade e muita comida”, afirma Shaw, professor aposentado da USP e hoje pesquisador da Fundação Tropical de Pesquisas e Tecnologia André Tosello, em Campinas.
Ainda não é possível identificar um padrão de disseminação para todas as áreas do país. Não se sabe se as populações de insetos que hoje estão na periferia de muitas cidades já existiam nessas áreas ou se migraram de regiões com vegetação mais bem preservada. Shaw acredita em ambas as possibilidades. “Em Belo Horizonte é quase certo que houve uma invasão de mosquitos na periferia, mas em outros estados pode ter ocorrido a expansão de populações que viviam nas matas que margeiam os rios”, comenta o parasitologista, que investiga a dinâmica das populações de Lutzomyiaem São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco.
Costa, da UFPI, tem um palpite diferente. Para ele, a disseminação do inseto transmissor da doença está associada ao uso de árvores exóticas como as acácias, de folhas miúdas e flores amarelas, nos projetos de urbanização das cidades. Há motivos para a suspeita. Teresina havia sido arborizada com acácias na época da primeira epidemia, nos anos 1980. Nessa época outra epidemia arrasadora, que deixou 100 mil mortos no Sudão, afetou principalmente as famílias que moravam em bosques de acácias, possível fonte de néctar para os insetos. Também há indícios de que o néctar de certas plantas favoreça a proliferação dos parasitas no intestino dos insetos.
Ainda é preciso provar se de fato isso ocorre no Brasil, mas é certo que, com a redução das áreas de vegetação natural, os insetos se adaptaram aos parques e aos quintais de casas, comuns no interior.
Do ponto de vista da saúde pública, a saída é tentar controlar a população do mosquito-palha por meio da aplicação do inseticida deltametrina nos focos de leishmaniose. Mas nem sempre essa medida, hoje a cargo dos municípios, é eficaz. Com ação de três meses, o inseticida tem de ser aplicado parede por parede das casas e nem sempre os insetos morrem. Às vezes, só tombam no chão para mais tarde levantarem vôo novamente. “Não se conhece uma forma de aplicar o inseticida que atinja maior número de insetos”, conta Vera Camargo, do CVE.
A chegada do mosquito-palha às cidades foi acompanhada de um complicador. Com a sombra e a terra fresca dos quintais, o inseto encontrou uma formidável fonte de sangue que as pessoas gostam de manter ao seu lado: o cão, que contrai a infecção facilmente e se torna tão debilitado quanto seus donos.
Para controlar o avanço da leishmaniose, o Ministério da Saúde determina a eliminação dos cães infectados. É uma medida polêmica que, isolada, não é suficiente. Em vários estados a população de cães é alta – em São Paulo há um para cada quatro pessoas, enquanto a Organização Mundial da Saúde sugere que a relação ideal é de um para dez – e a taxa de infecção chega a 20% dos animais em alguns municípios. Há ainda a resistência dos donos a entregar o amigo fiel para o sacrifício. “As pessoas só dão os cães quando descobrem que alguém na vizinhança morreu com leishmaniose visceral”, conta a veterinária Maria Cecília Luvizotto, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Araçatuba, que identificou o primeiro cão infectado em 1998.
Estudos feitos em diferentes cidades indicam que cerca da metade dos cães identificados com leishmaniose é eliminada. Veterinários e grupos protetores dos animais criticam a estratégia porque os testes diagnósticos podem falhar em algumas situações. “O teste não permite distinguir leishmaniose visceral de cutânea ou se o cão foi vacinado contra a doença”, diz a parasitologista Célia Gontijo, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Belo Horizonte. “O teste ainda pode sugerir que o animal está com leishmaniose quando, na realidade, pode ter doenças curáveis, como a babesiose.”
Na tentativa de reduzir os enganos, Olindo Martins Filho e Renata Andrada, da Fiocruz mineira, desenvolveram um teste que permite diferenciar o resultado positivo provocado pela infecção do causado pela vacina, descrito em 2007 na Veterinary Imunology and Immunopathology. Atualmente eles tentam usá-lo para distinguir a forma visceral da cutânea. A própria Célia obteve resultados mais precisos que os de testes tradicionais, usando a técnica de reação em cadeia da polimerase (PCR), que identifica o DNA do parasita.
Outros grupos testam o uso de coleiras com deltametrina, que manteriam os insetos longe dos cães por meses. A coleira custa cerca de R$ 60 e precisa ser trocada de tempos em tempos. Em 2004, Richard Reithinger, da Fiocruz em Minas, comparou o uso da coleira com a eutanásia. Mostrou que a coleira é uma alternativa viável, se as pessoas a usarem corretamente.
Na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a equipe de Clarisa Palatnik de Sousa desenvolveu uma vacina com base em antígenos do parasita que vem sendo usada apenas em clínicas particulares. Em 2003 a vacina recebeu liberação do Ministério da Agricultura – o Ministério da Saúde, responsável pelo controle da leishmaniose, ainda não autorizou seu uso como medida de proteção em massa. A principal crítica à vacina era ter sido testada apenas em pequenos grupos de animais. A decisão das autoridades da saúde pode mudar agora com a publicação dos testes mais recentes na Vaccine de agosto. Clarisa acompanhou por dois anos dois grupos de cães (550 vacinados e 588 não-vacinados) em Andradina, cidade no interior de São Paulo onde a leishmaniose visceral é endêmica. A vacina protegeu os animais em 99% dos casos.
Após décadas sem novos compostos para tratar seres humanos, um estudo publicado na Plos Neglected Tropical Diseases mostra um avanço importante. Na USP, os parasitologistas Silvia Uliana e Danilo Miguel comprovaram que o tamoxifeno, usado na terapia e na prevenção do câncer de mama, é eficaz no combate à infecção por Leishmania amazonensis em camundongos. Agora eles se preparam para repetir os testes contra a Leishmania chagasi em hâmsters, antes de avaliar os efeitos em um pequeno número de pacientes. A vantagem do tamoxifeno sobre drogas novas é que seu mecanismo de ação já é conhecido e sua segurança já foi demonstrada. “Ainda assim”, afirma Silvia, “são necessários três anos de estudos”.
Entre os compostos em teste contra a leishmaniose, pelo menos um foi desenvolvido inteiramente no Brasil pela rede de pesquisas Farmabrasilis. É o P-MAPA, sigla de anidrido polimérico de fosfolinoleato de magnésio e amônio protéico, que em testes no Brasil e nos Estados Unidos mostrou ser eficaz contra a bactéria Listeria monocytoges, cujo mecanismo de sobrevivência no organismo é semelhante ao dos protozoários do gênero Leishmania.
Fonte:
Revista eletrônica FAPESP.
O Blog Compartilha: Excelente material elaborado pelo Proanima.
Existe tratamento para Leishmaniose canina?
SIMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM.
Vários médicos veterinários respeitados no país , como o Dr Vítor Márcio Ribeiro da ANCLIVEPA de MG, o Dr André Fonseca, da Univerisdade do Mato Grosso do Sul, o Dr. Leonardo Maciel de Belo Horizonte, e outros profissionais afora, têm obtido bons resultados no tratamento da Leishmaniose. O tratamento requer compromisso financeiro (ao contrário de muitas informações, o custo não é elevado) e de tempo do proprietário e nem todos os cães reagem da mesma forma. Mas muitos cães já foram tratados e voltaram a ser saudáveis. A jusrisprudência para o tratamento foi estabelecido em MG. Procure um veterinário que conheça a doença e saiba como proceder o tratamento.
* NOTA: Uma Portaria conjunta do Ministério da Saúde e MAPA foi expedida probindo o tratamento da Leishmaniose. O Minsitério Público Federal instaurou inquérito administrativo para apurar ilegalidades na portaria e emitiu recomendação para que esta fosse revogada. Além disso, a organização do Mato Grosso do Sul Abrigo dos Bichos ingressou com uma Ação Civil Pública para garantir o direito de tratamento. E ganharam !!!!
Se um animal infectado é tratado, corre o risco de ser picado pelo mosquito e transmitir para outros cães?
Da mesma forma que pessoas infectadase outros animais, um mosquito pode picar um animal em tratamento e se infectar. Mas isso é evitável tomando-se as precauções já listadas. Por isso é importante que todos os cães- infectados ou não- usem repelentes para evitar a picadas de mosquitos e em todas as casas deve-se tomar medidas para eliminar focos do mosquito palha. Além disso, à medida em que é tratado, a capacidade de infectar os mosquitos diminui, mesmo que não seja totalmente eliminada (estudos são inconclusivos a respeito). Um cão em tratatamento , seguindo as orientações veterinárias para que não seja picado, não é ameaça à saúde pública.
Se eu não tenho condições de tratar o animal ou se o tratamento não for indicado, o que posso fazer?
Honre o compromisso de cuidar dele e protegê-lo do sofrimento. Converse com seu veterinário para que uma eutanásia de fato seja realizada. Não deixe que seja levado, cheio de estresse e medo, junto com outros cães, pelo Centro de Zoonoses. Não temos a certeza de que a eutanásia lá realizada seja de fato livre de estresse, indolor, precedida por anestésico e individual. Mas lembre-se, consulte profissionais que honrem com o compromisso assumido de cuidar dos animais. Vimos muitos médicos veterinários desinteressados no assunto que indicam a eutanásia como única forma. Por isso, se informe com profissionais que realizam "de fato" tratamentos. Você já tem nomes de profissionais que estudam e atendem em Hospital e Clínicas. Converse com eles para indicar alguém na sua cidade!
Mas a matança dos cães soropositios não é a única forma de combater a doença?
NÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO. A Leishmaniose é doença complexa e o combate pela matança de cães tem sido a medida mais comum NO BRASIL, porém a menos eficaz.O combate à Leishmaniose requer um olhar integrado, que vá à raiz das questões, o que envolve planejamento urbano, manejo do lixo , combate ao mosquito, controle populacional de cães por esterilização e , importantíssimo, a promoção da saúde e nutrição da população mais excluída. Nada disso é tratado ao se matar cães—e a doença segue em proliferação. Inúmeros estudos e informes técnicos, inclusive da Organização Mundial de Saúde, questionam o fracasso do modelo atual:- a doença (na cidade) tem raízes no desquilíbrio ecológico causado pela expansão urbana sem planejamento. Na medida em que ocorre desmatamento, o ciclo silvestre da doença é interrompido e cães e humanos passam a ser contaminados. Aliás, o mesmo tem ocorrido com a hantavirose, a dengue, e a febre amarela. -inúmeros outros animais estão envolvidos no ciclo da doença: ratos, gambás, e até gatos. Os frangos também estão sendo investigados como parte do ciclo. Não é factível realizar o controle testando-se e matando-se todos estes animais! Ao se matar um cão, é frequente a “reposição”dos cães muitas vezes por filhotes, que em geral são mais suscetíveis ainda à contaminação. Há uma mobilidade muito grande de pessoas e seus cães pela cidade, o que impossibilita um “controle” total; muito mais eficaz é o controle do vetor. O alarmismo causado ao se culpabilizar os cães tem levado a taxas maiores de abandono destes, levando a uma população maior de cães errantes e imunodeprimidos que podem ser alvo da doença. -Os cães são considerados por muitas pessoas como parte integrante da família e a matança destes é extremante traumática, principalmente para crianças. Ignorar o importante vínculo entre animais e suas pessoas é apostar na não colaboração da população, algo que é fundamental na saúde pública. Medidas testadas e aprovadas como a distribuição de coleiras , telas e mosquiteiros com inseticidas e educação ambiental têm naturalmente maiores chances de serem adotadas pela população. Portanto, o que se aponta na maior parte dos estudos é a importância de se repensar a estratégia falida de eutanásia de cães e partir para o controle do vetor ( mosquito), controle do ambiente (lixo orgânico), repensar políticas desordenadas de expansão urbana, diminuir a população de cães errantes por meio de campanhas de esterilização e de guarda responsável, melhorar o status nutricional e imunológico da população humana e investimento em estudos do tratamento e prevenção da doença em humanos e animais. Não é justo que cães paguem com a vida por erros humanos! O Programa brasileiro de controle de Leishmaniose é baseado em três principais medidas de controle: diagnósticos e tratamento precoce de casos humanos; triagem imunológica e matança de cães soropositivos e borrifação de inseticidas contra o flebótmoos . Estas medidas de controle permancem inalteradas desde os anos 40 e não conseguiram reduzir a incidência de casos humanos a um nível aceitável. Na verdade a prevalência de casos de Leishmaniose visceral aumentou e a doença tornou-se um problema sério de saúde pública em vários estados brasileiros e a Organização Mundial de Saúde afirma, em www.who.int/tdr/diseases/leish/files/direction.pdf, que a matança de cães é “questionável”.
Defenda a idéia de uma nova política de combate à Leishmaniose!
O diagnóstico da Leishmaniose é altamente complexo e nenhum dos métodos é 100% seguro. Por isso a importância de se realizar ao menos uma contra-prova e do animal ser examinado por veterinário. Na sorologia utilizada pelo GDF, por exemplo, há problemas de cruzamento com outras doenças, notadamente, a erliquiose, ou doença do carrapato. Mas até verminoses comuns podem dar um “positivo”na sorologia Elisa. Assim, seu cão pode ter apenas doença do carrapato ou vermes comuns e testar positivo para Leishmaniose. E independente de reações com outras doenças, em 5-8% dos casos há falsos positivos nas sorologias. Centenas de cães estão sendo mortos no DF sem que tenham com certeza a Leishmaniose. Um exame mais preciso é o PCR, disponível em Hospitais Veterinários e até Clínicas, com custo em média de R$ 65,00. Outros exames preciso são a imunohistoquímica de tecido da orelha, a citologia aspirativa de linfonodo e medula óssea, e a imunofluorescência indireta. Desta forma, caso o resultado da primeira sorologia dê positivo, converse com seu veterinário, que deverá coletar o material e encaminhar para o laboratório para que uma avaliação seja realizada de posse de mais de um resultado e da clínica do animal.
A Constituição, que está acima de qualquer outra legislação ou portaria, prevê que sua casa é inviolável. É sua escolha permitir ou não que os agentes entrem em sua casa e coletem sangue de seu cão. Sugerimos que os agentes de saúde sejam benvindos para dar orientações de como evitar o mosquito palha, e olhar em sua casa se há locais onde possam estar os mosquitos. Quanto à coleta de sangue, se permitir, exija que a agulha usada seja uma por animal, inutilizada após o uso—e ao receber o resultado, cuidado com a interpretação. Se você optar por não permitir a entrada dos mesmos, fique atento. Muitos agentes de saúde tem usado de "abuso de poder" na hora de exigir a entrada na residência. Eles ameaçam chamar polícia, aplicar multas, etc. Isso não pode ser feito. Constitui-se em um abuso e em constrangimento ilegal. A entrada na sua residência somente poderá ser mediante intimação judicial. Mesmo com a intimação, você tem como CIDADÃO, meios de se defender!
NÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO.Novamente, a Constitutição Federal (a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial"), que está acima de qualquer lei distrital ou portaria, prevê que sua casa é inviolável. Ou seja, qualquer entrada não autorizada em sua casa requererá ordem judicial, após avaliação por um juiz. O STJ já deu ganho de causa à Ação Civil Pública no Mato Grosso do Sul prevendo que animais só podem ser mortos com o expresso consentimento do proprietário e após a realização de prova e contra-prova. Se algum agente de saúde o ameaçar, isso é abuso de poder. A decisão de sacrificar um animal é do proprietário e algo muito sério. São indicados os sacrifícios apenas quando o animal está sintomático (ou seja, quando os sintomas são claros e comprometem a vida do mesmo) e o tratamento não for indicado. Também há vários relatos no Blog de pessoas que entraram na justiça para garantir o tratamento … leia mais acessando as postagens sobre Leishmaniose – A lei e os seus direitos.
O Blog Divulga!!
Para quem sempre pergunta sobre casos na justiça, que garantiram o tratamento de seus amigos, vou deixar aqui o relato do caso do cãozinho Baby …
A história começa assim …
…
Essa história serve para encorajar os demais, bem como aqueles que se encontram aflitos e temem que o pior aconteça.Solidarizo-me com todos aqueles que passam por isso, além de me colocar à disposição para o que necessitarem, através do endereço eletrônico nilmaragimenes@yahoo.com.br, ou através dos fones (69) 3421-6600 e 9956-2598.Um abraço fraterno a todos e, continuemos lutando incansavelmente na defesa dos animais.Nilmara Gimenes Navarro,Advogada,JI-Paraná – Rondônia
No interior paulista, mais precisamente na cidade de Cafelândia, uma determinada família passou, nos últimos dias, por momentos cruciais, que, aqui faço um breve relato. Baby é animal de estimação da família desde o nascimento (março/2000), portanto inegável o vínculo de carinho e afeto entre o animal e a família.Em maio do corrente ano, apresentando alguns problemas de saúde, restou encaminhado para o município de Bauru, um centro médico-veterinário altamente avançado, com profissionais gabaritados e, restou constatado que Baby erasoro positivo para a LVC (Leishmaniose Visceral Canina). A proprietária Nádia, bem como seu pai José "abraçaram a causa" e decidiram tratar e cuidar do animalzinho, não medindo esforços, mudando toda sua rotina e instituindo outras prioridades (o tratamento de Baby). A rotina da família modificou-se, posto que Nádia e o pai, deslocavam-se 3 vezes por semana para Bauru, durante 3 meses, para que Baby se submetesse ao tratamento de Soroterapia. A junta médica-veterinária alertou à família que, dada a agressividade do tratamento, o cãozinho poderia vir a sucumbir... Entretanto, para a surpresa de todos, Baby resistiu bravamente ao tratamento. Sendo motivo de orgulho e sucesso para todos que acreditaram. Foi um fato inédito na Clínica da Dinda. Todos comemoraram. Em data de 31.10.2008 Nádia foi procurada por um Servidor da Vigilância Sanitária do município de Cafelândia, e foi informada que o cão Baby seria recolhido na segunda próxima 03.11, através de busca e apreensão para sacrifício (eutanásia). Nádia, em prantos, contactou a irmã e implorou por providências (medidas judiciais).
Esta se empenhou durante o final de semana e, com a ajuda de 2 outros colegas advogados, ajuizou ação pertinente cumulada com pedido de tutela antecipada perante a Vara Única da Comarca de Cafelândia. Trouxe dispositivos legais e farta jurisprudência a respeito. A inicial foi despachada diretamente com o Magistrado, dada a urgência e peculiaridade do caso. O Magistrado a recebeu e a encaminhou ao Ministério Público, onde este emitiu parecer favorável pelo não sacrifício do Cão Baby. E, o ilustre Magistrado, assim como a Douta Promotora, ambos dotados de muita sensibilidade, acolheu a cota ministerial e deferiu a tutela antecipada para que a Prefeitura Municipal fosse citada e se ABSTIVESSE da prática da medida extrema de sacrificar o animal, tendo em vista o tratamento de sucesso a que Baby se submetera. A decisão judicial foi única na comarca. Nunca houve qualquer caso parecido. Todos os servidores do Tribunal torciam pela vida de Baby, assim como a família, o corpo jurídico e a junta médico-veterinária. E, hoje, graças ao profissionalismo dos gabaritados médicos veterinários da Clínica Dinda, dos advogados atuantes (Nilmara, Edilene Sastre e Luiz Poli) e outros mais que acreditaram na vida e no tratamento de alto nível, Baby continua vivendo, tendo seu direito de sobreviver garantido judicialmente. A familia entrou em festa. A Clínica Veterinária igualmente. Os advogados subscritores comemoraram a vitória. E viva a Vida! E viva o Baby! A advogada Nilmara reputa que foi a batalha judicial mais importante e gratificante desde seu ingresso na vida jurídica. Então, Senhores Protetores dos Animais!!! Não desanimem! Convido a todos para lutarem incansavelmente na defesa dos animais e, que façamos com que cessem as práticas de matança indiscriminada deles. Vamos lutar pela Vida. Viva a Vida! E viva o Baby! Nosso lindo cãozinho que permanece entre nós e continua, sempre, incondicionalmente a nos dar alegria!Viva o Baby!!!!!!!!
Nilmara Gimenes Navarro (advogada)
A história inteira você confere no Site Clube dos Vira Latas
O Blog Divulga: Nota de Esclarecimento sobre as Vacinas Antileishmaniose
Para: Conselhos Regionais de Medicina Veterinária do Brasil.
Assunto: Nota de Esclarecimento sobre as Vacinas Antileishmaniose Visceral Canina registradas no MAPA, emitida dia 03/05/2009.
Prezados,
Há algum tempo a Fort Dodge vinha solicitando uma nota oficial que pudesse ser emitida pelos Ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) em conjunto com o Ministério da Saúde, encerrando de uma vez por todas uma série de discussões e questionamentos em relação ao controle da Leishmaniose Visceral no Brasil e, em particular, sobre a Leishmune.
Recentemente, recebemos com grata surpresa a emissão desta nota oficial intitulada "Nota de Esclarecimento sobre as Vacinas Antileishmaniose Visceral Canina registradas no MAPA", cujo conteúdo responde aos principais questionamentos em relação às vacinas, sendo que, no que diz respeito à Leishmune, vale a pena tecermos as seguintes considerações:
1- Dúvidas em relação à eficácia, legalidade ou proibição da Leishmune.
Esta questão é respondida no terceiro parágrafo, no trecho "devidamente registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.", e no oitavo parágrafo, no trecho "As vacinas registradas no MAPA cumprem com os requisitos técnicos de eficácia, vigentes no momento da concessão dos registros (anos 2003 e 2006)."
Desta forma não há mais qualquer dúvida de que tanto o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), quanto o Ministério da Saúde, assumem publicamente a existência e eficácia da vacina para uso em cães, afirmando que a Leishmune está devidamente registrada junto ao MAPA.
2- Dúvidas em relação aos estudos de eficácia solicitados pelo MAPA após a Instrução Normativa de 2007.
No ano de 2007, os Ministérios emitiram a Instrução Normativa Interministerial (N° 31, de 9 de julho de 2007) que visa regulamentar a pesquisa, desenvolvimento, produção, avaliação, registro e renovação de licenças, comercialização e uso de vacinas contra a Leishmaniose Visceral Canina.
Correspondência Externa
Data: 23 de junho de 2009
Fort Dodge Saúde Animal/ Divisão da Wyeth
Desta forma, conforme é dito no sétimo parágrafo, no trecho "dispõem de um prazo de 36 meses, a partir de 09 de Julho de 2007, para realizarem e apresentarem ao órgão competente os estudos de Fase III***, para fins de renovação e manutenção do registro.", as empresas que já possuíam o registro dispõe de prazo para apresentarem testes adicionais àqueles apresentados no momento do registro inicial.
Assim sendo, é importante ressaltar que, previamente à Instrução Normativa de 2007, a Fort Dodge apresentou 2 estudos de eficácia controlados, randomizados e mascarados, devidamemente publicados na revista Vaccine (conforme anexos 1 e 2), para a obtenção do registro da Leishmune em 2003 e que demonstraram proteção de 92 a 95%. Além disso, 2 estudos de campo, pós obtenção do registro, também foram publicados em 2008, demonstrando, em 600 cães, a segurança, inocuidade e eficácia da Leishmune durante 2 anos de acompanhamento em condições de desafio natural (com 98,8% de proteção no primeiro ano e 99% ao final do segundo ano), conforme anexos 3 e 4. E, finalmente, também foi realizado um acompanhamento junto a médicos veterinários que utilizam a Leishmune desde 2004, que demonstrou que cerca de 97% dos cães vacinados estão protegidos.
Assim, o trecho "As vacinas Leishmune e LeishTec já tiveram os ensaios em animais de laboratório (testes pré-clínicos) e estudos de Fase I* e II** completados, estando os estudos de fase III*** em andamento." diz respeito aostestes de eficácia adicionais àqueles já apresentados no momento do registro inicial do produto em 2003 (anexos 1 e 2), solicitados após a publicação da referida Instrução Normativa número 31 de 2007, para fins de renovação da licença e que devem ser apresentados até 2010.
*Fase I: estudos de segurança para demonstrar a ausência de efeitos colaterais adversos relevantes em animais sadios, sensíveis ao agente em estudo, em condições de laboratório.
**Fase II: nesta fase, além de confirmar a segurança, será determinada a imunogenicidade, a via de administração, a dose e esquemas que serão utilizados na Fase III, bem como a estimativa preliminar da eficácia em animais sensíveis da espécie-alvo.
***Fase III: destina-se à realização de estudos controlados, randomizados e mascarados para avaliar a eficácia vacinal.
3- Dúvidas em relação à proibição do uso da vacina pelo Ministério da Saúde.Esta questão é respondida claramente no oitavo parágrafo, no trecho "Entretanto, o Ministério da Saúde ainda não recomenda o seu uso um Saúde Pública, pois estão sendo realizados estudos para avaliar o uso destes produtos para este fim." deixando claro que as vacinas hoje disponíveis estão indicadas para uso exclusivamente em cães (em clínicas veterinárias) e não em campanhas públicas, como forma de diminuir a casuística humana, como hoje é feito com as vacinas anti-rábicas.
Portanto, fica claro nesta nota, que os Ministérios reconhecem o uso da Leishmune por clínicos veterinários, como devidamente aprovado e suportado por esta nota.
Finalmente, gostaríamos de aproveitar novamente a oportunidade para oferecermos nosso constante apoio em levar as informações completas e corretas aos Médicos Veterinários de todo o Brasil, ficando à disposição para quaisquer novos esclarecimentos via telefone ou em reuniões pessoais; reafirmando o nosso mais recente slogan: Leishmune, é legal, é ética e protege!
Atenciosamente,
Fort Dodge Saúde Animal/ Equipe de Animais de Companhia
É ÉTICA porque
A empresa Fort Dodge investiu e ainda investe em Pesquisa e Desenvolvimento para oferecer uma vacina segura e eficaz. As informações que transmitidas à classe veterinárias e aos consumidores baseiam-se em trabalhos técnicos, que sustentam essa argumentação. Visite o site da empresa e leia toda a pesquisa realizada até a fabricação da vacina.
É LEGAL porque
Foi registrada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), sob a licença nº 8.627, em 11 de junho de 2003. O MAPA é o único órgão responsável pela aprovação, registro e liberação de produtos veterinários, sendo liberada para uso dos Médicos Veterinários de todo o Brasil como uma ferramenta legal (lícita) para o controle da Leishmaniose Visceral Canina.
O Ministério da Saúde (MS) não indica o uso de vacinas contra a Leishmaniose Visceral Canina em saúde pública (campanhas de vacinação, como por exemplo a anti-rábica) unicamente pelo fato de não existirem trabalhos, até o momento que comprovem o impacto da vacinação de cães na diminuição da incidência humana.
Em julho de 2007 foi publicada pelo MS e pelo MAPA a Portaria Interministerial (Instrução Normativa Interministerial nº31). Os fabricantes de vacina contra Leishmaniose Visceral Canina têm até julho de 2010 para se adequarem a este regulamento técnico. A Fort Dodge se antecipou, e em setembro de 2008 apresentou ao MAPA o processo de adequação, uma vez que a empresa já possuía todos os trabalhos necessários para responder aos itens do regulamento.
PROTEGE porque
Neste ano de 2009 a vacina está completando 5 anos de mercado. Entre 2004 e 2008 mais de 70.000 cães foram vacinados em todo o Brasil e, segundo as informações fornecidas pelos veterinários responsáveis pela vacinação, a proteção conferida é superior a 97%. Este é um resultado importante, que foi obtido a partir de levantamentos realizados a campo, ou seja, em cães residentes em áreas endêmicas e submetidos ao desafio natural. Você pode conferir o trabalho destes profissionais no Site da empresa.
Os estudos para o desenvolvimento da Leishmune iniciaram na década de 80, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pela equipe da Dra. Clarisa Palatnik de Sousa. Desde 1980 até hoje, já foram publicados artigos científicos referentes ao antígeno (FML), ao adjuvante de imunidade (saponina), à segurança, à imunogenicidade, à eficácia e à proteção da vacina em cães, além de trabalhos que demonstraram que a Leishmune é uma vacina bloqueadora da transmissão. Mais de 1.000 cães foram vacinados para a realização destes estudos. Entre os mais importantes estão os que demonstraram:
1. EFICÁCIA: além dos estudos de fase III, a eficácia foi confirmada em estudo que contemplou a vacinação de 550 cães de áreas endêmicas e peri-endêmicas. Os veterinários responsáveis pelo acompanhamento do estudo avaliaram clinicamente os animais e a resposta imune celular foi 22 comprovada pela citometria de fluxo (mensuração de CD4, CD8 e CD21) e pela IDR.
2. SEGURANÇA: estudo que avaliou a possibilidade de reações alérgicas, locais e sistêmicas foi 26 realizado com 600 cães adultos de diversas raças, com idade de até 13 anos ; outro estudo foi 27 realizado em filhotes de raças pequenas, com a aplicação de 1 dose e o dobro da dose da vacina.
3. COMPATIBILIDADE: da vacina Leishmune para aplicação simultânea com a Duramune (vacina contra viroses: cinomose, parvovirose, etc) e com a Rai-Vac I (anti-rábica). Ficou comprovada a possibilidade de aplicação das três vacinas na mesma ocasião, sem 28 qualquer tipo de reação pós-vacinal.
Além dos estudos acima, dois trabalhos publicados demonstraram o potencial da Leishmune em bloquear a transmissão da Leishmaniose Visceral (LV), além do estudo de xenodiagnóstico realizado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG):
1. AUSÊNCIA DO PARASITO
Na pele, sangue e linfonodo de cães vacinados e expostos ao vetor. Neste trabalho, realizado em área endêmica para LV, 32 cães mostraram a ausência de sinais clínicos, assim como resultados negativos para parasitas na pele (imunohistoquímica), sangue e linfonodos (PCR) 11 meses após a vacinação com a Leishmune . Neste mesmo período, dos 40 animais não vacinados e alocados na mesma área, 25% tornaram-se sintomáticos; 56% apresentaram resultado positivo no PCR de linfonodo, 15,7% eram positivos no PCR de sangue, 7 além de 25% positivos na imunohistoquímica de pele.
2. BLOQUEIO DA TRANSMISSÃO
Em insetos que se alimentaram de sangue infectado com leishmânias e soro de cães imunizados. Os resultados demonstraram que a Leishmune é uma vacina bloqueadora de transmissão, pois preveniu o desenvolvimento de formas promastigotas da 29 leishmânia no intestino do flebótomo, interrompendo o ciclo epidemiológico.
3. XENODIAGNÓSTICO
Realizado na UFMG, a fim de demonstrar a não infecciosidade do cão vacinado para os flebotomíneos. Os resultados preliminares do xenodiagnóstico, utilizando a Lutzomyia longipalpis, mostraram que 2 dos nove cães naturalmente infectados foram infectantes para os flebotomíneos (os dois cães eram sintomáticos), enquanto que nenhum dos 19 cães vacinados com a Leishmune infectou os flebótomos, mesmo estando em constante desafio durante 3 anos após a 1ª dose de vacina (em publicação).
Finalmente, apesar do baixo índice de cães vacinados, em Araçatuba houve uma redução de 27,45% e de 61% dos casos caninos e humanos, respectivamente. Já em Belo Horizonte a incidência em humanos declinou 36,14% em áreas onde 83,3% dos cães foram vacinados e aumentou em 10,67% onde houve um pequeno número de cães vacinados. Mesmo com a pouca cobertura vacinal observou-se a redução do 8,30 percentual de cães infectados que seriam sacrificados.
Fonte: Fort Dodge
Olá amigos!
Muitas pessoas não sabem, mas existe um grupo de veterinários, que oferecem seus conhecimentos e serviços, de forma solidária, na atenção com os animais. Lógico, dentro de suas possibilidades pessoais e operacionais.
Por isso divulgo aqui uma lista de nomes de veterinários solidários para você que precisa na sua cidade. Também não deixem de contribuir com os Veterinários que promovem as Campanhas de Adoção de Animais.
LISTA CONSULTA – POR ESTADO
Clique aqui! (Fonte: Arca Brasil)
LISTA CONSULTA - GERAL
Clique aqui! (Fonte: Guia Vegano)
Solidariedade é uma comunhão de atitudes e sentimentos, que em meio a diferenças , gera igualdade … E se gera igualdade … nos faz promotores da justiça!
Um pouquinho atrasada eu li a reportagem da revista veja: 
Com o título de ELES VENCERAM, a reportagem aborda a questão a nova forma de relacionamento entre humanos e animais: mais do que amigos, eles agora são como filhos, numa relação familiar!
Leia alguns trechos interessantes:
Iniciada entre 25 000 e 50 000 anos atrás, a relação entre homens e bichos domesticados teve, a princípio, fins essencialmente utilitários. Cães vigiavam aldeias, ajudavam a caçar e pastorear. Provavelmente a afeição, desde cedo, teve um papel nesse relacionamento. O primeiro indício concreto de um elo de emoção entre um humano e um animal data de 12 000 anos: são restos fossilizados de uma mulher abraçada a um filhote de cão, encontrados no Oriente Médio. O certo é que o afeto remodelou, ao longo dos séculos, os laços que nos ligam a cães e gatos. E continua a remodelá-los. É o que revelam pesquisas de comportamento ao mostrar que, mais até do que amigos, os bichos de estimação são hoje vistos como filhos ou irmãos em boa parte dos lares que os acolhem. Na Europa e nos Estados Unidos, o porcentual de donos que consideram seus bichos como familiares já chega a 30%. No Brasil, de acordo com pesquisas da multinacional francesa Evialis, uma das maiores fabricantes de alimentos para animais de estimação no mundo, esse índice é de 10% - mas aponta para cima.
No século XIX, a teoria da evolução de Darwin desbancou o homem do ápice da criação para reposicioná-lo como apenas mais um dos animais moldados pela seleção natural. Essa revisão tem implicações éticas radicais. O filósofo australiano Peter Singer defende a igualdade plena de direitos entre homens e animais. Para ele, o "especismo" - a ideia de que os humanos são superiores aos demais seres - é uma forma de discriminação tão insustentável quanto o racismo. De certo modo, gatos e cachorros já galgaram um lugar privilegiado nas considerações morais das pessoas.
A morte de um bicho querido começa a ser cercada de cerimônia: o Pet Memorial, cemitério de animais na Grande São Paulo, realiza em média trinta velórios e 200 cremações por mês, com custos que vão de 700 a 2 000 reais. Para muitos, a perda de um animal leva a uma situação de luto tão difícil de superar quanto a morte de um parente ou amigo(grifo meu).
O Brasil tem 32 milhões de cães e 16 milhões de gatos, de acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Alimentos para Animais de Estimação, a Anfal Pet. Acredita-se que seja a segunda maior população desses bichos no planeta, inferior apenas à existente nos Estados Unidos. Em 2008, esses animais devoraram 1,8 milhão de toneladas de ração: 1,6 milhão de comida para cães e 200 000 toneladas de ração felina. Ainda segundo a Anfal Pet, existem cerca de 40 000 pet shops espalhadas pelo país. Em proporção à população de cães e gatos, esse número é um assombro. Significa que há um desses estabelecimentos para cada 1 200 bichos - contra uma farmácia para cada 2 600 pessoas no Brasil. Os donos mais afetivos são cada vez mais numerosos, no Brasil e no mundo. Em Nova York ou Paris, é comum ver senhoras empurrando seus cães em carrinhos, como bebês. Nos Estados Unidos, ainda, acaba de entrar em atividade a Pet Airways, companhia de viagens aéreas para bichos. No Brasil, o mercado de produtos e serviços para animais de estimação movimenta 9 bilhões de reais por ano.
A Radar Pet - uma pesquisa recém-concluída com 1 307 pessoas de oito metrópoles, idealizada por uma entidade do setor, a Comissão Animais de Companhia (Comac) - fornece uma visão da intimidade dos brasileiros com seus cães e gatos. Eles estão presentes em 44% dos lares das classes A, B e C - e em lugares como Porto Alegre, Curitiba e Campinas já figuram em mais de metade das casas. O novo status que cães e gatos estão assumindo nos lares tem pelo menos duas razões sociais distintas. A primeira diz respeito ao encolhimento das famílias. Hoje são raros os casais que optam por ter mais de um ou dois filhos - o terceiro, que costuma desembarcar em casa quando esses já estão mais crescidos, é quase sempre um cão ou gato. Como demonstra o Radar Pet, as famílias em que os filhos adolescentes ou adultos ainda moram com os pais são aquelas em que a presença dos bichos é mais forte. O segundo fator é o crescimento do contingente de pessoas que vivem sozinhas nas grandes cidades e buscam um companheiro animal. Cães e gatos têm chances menores de obter abrigo nos lares formados por casais com filhos pequenos. "Nessa fase, as crianças monopolizam as atenções. Não sobra tempo para os animais", diz o executivo Luiz Luccas, presidente da Comac.
O domador Cesar Millan acusa a perda da "simplicidade instintiva" que regia a relação entre homem e cão nos primórdios da domesticação. Os especialistas têm por certo que os lobos dos quais os cachorros atuais descendem rodeavam os acampamentos humanos atraídos pelos restos de alimentos - mas daí à sua domesticação há um salto que ainda não se explicou satisfatoriamente. "Os cães demonstraram grande capacidade de assimilar nosso estilo de vida. Isso talvez explique por que a evolução nos fez tão amigos deles, e não de outros primatas, o que à primeira vista talvez parecesse mais lógico", diz Barbara Smuts, da Universidade Harvard. Os gatos também se adaptaram à vida na companhia das pessoas, mas nunca abriram mão da independência e do instinto de caçadores.
O mexicano Cesar Millan, de 39 anos, é um "psicólogo de cachorros". No seu programa de TV, O Encantador de Cães (exibido no Brasil pelo canal pago Animal Planet), esse ex-imigrante ilegal convertido em celebridade nos Estados Unidos reeduca bichos com fobias, comportamentos destrutivos e distúrbios afins. Na entrevista a seguir, Millan explica por que a maioria dos problemas caninos tem origem nas atitudes humanas.
Quem precisa mais do outro: o cão do homem ou o homem do cão?
Os cães dependem da comida que lhes damos. Nós, contudo, desenvolvemos uma dependência emocional em relação a eles. Mais que qualquer outro bicho, o cão é o elo que permite ao homem moderno manter uma conexão mínima com a natureza. Os problemas com que lido em meu programa poderiam ser resumidos assim: pessoas que aboliram a simplicidade de sua vida procuram, por meio de seus cães, reencontrá-la - mas precisam se reeducar para isso.
Qual a raiz dos problemas de relacionamento entre o homem e o cão?
É a dificuldade humana de entender como os cães veem o mundo. Os cachorros não distinguem se seu dono é um mendigo ou o presidente dos Estados Unidos. Eles são programados para seguir um líder. Na relação conosco, o que vale são os sinais de afirmação ou vacilo de quem deveria exercer esse papel. Eles podem até parecer crianças, mas pensam como membros de uma matilha: na ausência de um humano que exerça a função de líder equilibrado e assertivo, os cães tentam se impor.
Qual seu maior conselho para alguém que deseja adotar um cão?
O mesmo que dei ao presidente Obama e à sua família no processo de escolha do cão que viveria com eles na Casa Branca: opte por um animal cujo comportamento combine com o seu estilo de vida. Nunca leve para casa um bicho que tenha mais energia que você, pois a tendência será ele ditar as regras. Antes de acolher (o cão-d’água português) Bo, os Obama fizeram muita pesquisa em busca de uma raça adequada. Eles queriam um animal com pique para correr com as meninas e que não provocasse alergia na mais velha, Malia. Pelo que venho notando, porém, a família do presidente terá trabalho para colocá-lo nos eixos. No primeiro passeio, quem determinava o caminho era o cachorro - um péssimo sinal.
Fonte: Revista Veja
A leitura dessa matéria é de um teor muito relevante ao discutido no Blog. Uma relação construída há milhares de ano, que envolve emoções, afeto, não pode estar sendo tão desprezada pelos nossos Órgãos de saúde no tocante à política de Leishmaniose.
A reportagem tocou bastante na questão de aumento de serviço para Pet´s. A sensação que dá, é que o lucro é aqui o mais importante..o mercado pet.
Tenho total ciência de que nossos amigos merecem tudo que está ao nosso alcance… merecem os serviços especializados em tratamentos, prevenção, diagnóstico. Merecem serviços qualificados, profissionais qualificados. Merecem rações de boas qualidade, carinho, etc.
Na reportagem, há uma passagem:
Em junho, a zootecnista paulista Fernanda Manelli passou por um susto. Lana, sua bernese de 3 anos, quase morreu em razão de uma castração malfeita. A cadela foi salva graças aos novos recursos da medicina veterinária. Ao se constatar, por uma tomografia computadorizada, que um abscesso já comprometia vários órgãos, ela foi operada às pressas. "Gastei 3 000 reais. Mas a vida da Lana não tem preço", diz. "O tratamento de uma doença crônica custa por volta de 8 000 reais", informa Mário Marcondes, diretor do Hospital Veterinário Sena Madureira, o maior de São Paulo.
Um argumento que ouço muito das pessoas que são contra o tratamento da LVC é que os donos dos animais não teriam dinheiro para arcar com os custos de um tratamento. Primeiro que o tratamento de LVC tem um custo reduzido, logicamente com variações em cada caso, região, protocolo, mas que no geral, não é dispendioso, quanto o Dr. Mário Marcondes exemplificou acima no trecho. Segundo que, as indústrias de rações e produtos pet têm sido um dos ramos que mais crescem no mercado brasileiro. Sem contar nas empresas que prestam serviços de beleza, estética e relaxamento. E nem nos adestradores, psicólogos caninos…. enfim… uma verdadeira equipe! Esses tratamentos, esses rituais sim, custam caro e tem muita procura! É escova de chocolate, escova de silicone, tosa higiênica, tintura e descoloração, hidratação e cauterização do pêlo, spray finalizador de brilho, desenhos no pêlo (tatuagem), aplicação de unha (evitar que os pet´s arranhem os móveis ou a própria pele), serviço de fotógrafo canino (book canino de recordação), fabricação de bijouteria e jóias (ouro, prata e pedras preciosas) para cães (incluindo coleiras, placas de identificação, colares e piercings). Recentemente, com a Novela Caminho das Índias, a moda é os Bindis (terceiro olho) usado em cães, sem contar nos tradicionais lacinhos/xuxinhos e tic-tacs. Ah tem também os tratamento homeopáticos, acumputura, florais, banho de ofurô relaxante (com sais franceses), redes de convênio, resort´s para férias caninas, agência matrimonial, já falamos no memorial, empresas de pet model (agência de modelos para pet´s), a pet pintura (você manda pintar um retrato a óleo de seu pet), padarias e gourmets pet (oferecem quibe, esfiha, tortas doces e salgadas, doce de maçã e de banana, bolo de aniversário em formato de osso e pode ser de chocolate ou de frutas e pode servir até 30 cachorros convidados para as festas) é as festas, serviços de decoração/buffet especializados em festas. Há os pet shops só voltados para o público GLS, hidroesteiras/natação (fisioterapia e emagrecimento canino), caixas de areia decoradas para gatos, bolsa para transportar animais de até 4,5 kg… Hum será que esqueci de algo? Com certeza! temos camas com espuma para cães com problemas fisioterápicos, ovo de páscoa para cachorro, panetone para cachorro…
Por isso, nada de sair por ai dizendo que o problema da LVC é o custo e que os animais seriam abandonados. Os animais hoje são abandonados porque o terror aplicado à população mais carente (no ponto de vista da informação/educação), faz com que aumente o abandono. Ele está instrisicamente ligado também a proibição do tratamento… Ou seja, eu abandono porque não pode tratar…. ou eu abandono porque não quero ser contaminada…
A relação do humano com os animais merece muito mais respeito do Governo, até quando seremos ignorados neste direito?
Afinal eu pergunto? Quem venceu?
Ninguém está vencendo! Nossos cães estão sendo exterminados, as empresas pet´s tem lucrado cada vez mais, os médicos veterinários estão sendo proibidos de exercer sua profissão ….
Dando umas olhadas sobre o que se tem falado sobre LVC ultimamente, me deparei com o seguinte debate. É muito interessante, pois nos mostra como as opiniões sobre a LVC são diferentes. E neste caso, o que chama a atenção é que a primeira afirmação é de um médico veterinário … Confiram!
Fórum de discussão sobre a LVC – Tópico/Assunto: Tratamento da LVC
Comentário de um Médico Veterinário X: Leishmaniose não tem cura!
O Ministério da Saúde reúne anualmente os maiores experts em Leishmaniose da América Latina para discutir o assunto. E o que se sabe até agora é que não existe tratamento para o calazar canino. Há até uma proibição do governo de se usar medicamentos humanos em cães, e todo e qualquer medicamento que não esteja aprovado pelo ministério da saúde (ou seja, não há nenhum). Portanto, caso queiram se enganar, acreditem que o calazar em cães tem cura. O Conselho Federal de Medicina Veterinária recomenda aos proprietários enganados por profissionais com o tratamento canino que os denunciem que há punição para isso. No dia que descobrirem que há cura para o cão, eu gostaria de estar envolvido nisso, pois eu ficaria milionário da noite para o dia. Sou Médico Veterinário, e não acho nada bom ter de eliminar cães com calazar, mas não há alternativa ainda. Temos de admitir que a Ciência é a base de tudo, não a emoção. Cães podem se curar espontaneamente de calazar, pois muita gente se cura até de câncer! Mas isso não é a regra.
Resposta de uma pessoa X: O que não tem cura é a ignorância do ser humano. São os pseudos profissionais que põem um diploma embaixo do braço e não buscam especializar-se, apesar da globalização. Enquanto existe vida, existe a esperança. Alguém seria capaz de exterminar um homem somente pq ele tem aids e ela não tem cura?????? Graças aos esforços de verdadeiros veterinários, membros da Anclivepa de Minas Gerais (Associação Nacional dos Clínicos Veterinários de Pequenos Animais), o Procurador Geral da República por aquele Estado, Dr. Fernando de Almeida Martins, recomendou a revogação dessa Portaria alegando, entre outros pontos, que há mais de dez anos veterinários mineiros tratam a doença com sucesso e, baseado em pesquisas científicas, afirmam que cães em tratamento e aqueles que já foram tratados, são incapazes de transmitir a Leishmaniose, pois deixam de ter protozoários presentes em sua pele. Além disso, questionou as técnicas de detecção da doença, pois o atual exame usado (quando é feito), o sorológico, verifica apenas se o animal produz anticorpos contra o protozoário transmissor, sem comprovar sua existência.
Resposta de uma Médica Veterinária Y: Segundo a Arca-Brasil, essa portaria arbitrária “não prevê políticas preventivas que ataquem o principal transmissor da doença (o mosquito vetor), não torna obrigatória a utilização de testes eficazes de identificação do mal, não propõe vacinação em massa ou campanhas de conscientização e prevenção.” Na Europa, principalmente na Espanha (onde existem 4 milhões de cães), os animais com Leishmaniose Visceral não são sacrificados há muitos anos. Segundo o Dr. Fábio Nogueira, nos países desenvolvidos o tratamento da doença é rotineiro e amparado por produtos veterinários.O Glucantime, da Merial, específico para veterinária e similar ao humano, é usado na Europa há bastante tempo; o MILTEFORAN é a novidade da Virbac na Europa para tratamento da Leishmaniose; a comunidade européia também conta com o suporte da indústria de rações: a Affinity Pet Care possui na sua linha de alimentos sob prescrição, a ração Leishmaniasis Management, alimento específico para cães com Leishmaniose. Se esses cães tratados continuassem sendo transmissores da doença, em uma comunidade exigente com a saúde como é a européia (lembram-se das exigências sobre nossos produtos para serem para lá exportados?), haveria novos medicamentos e até ração específica para eles? Alguém já leu alguma notícia de mortes de humanos por Leishmaniose na Espanha? Observação: O Milteforan age sobre o parasita instalado na medula, figado e baço. Será que já não é hora de acabar com essa manipulação vergonhosa da opinião pública contra os cães e o poder público fazer jus ao dinheiro que nos tira, e realmente trabalhar para o bem estar de toda a população? Mas negar medicamento e matar cães sem sequer fazer exame para comprovar a doença é bem mais cômodo e mais barato, e mostra “trabalho” ao povo que desconhece o assunto. Enquanto isso a doença vai se alastrando. Isso é Brasil.
Comentário Pessoal: Meu comentário pessoal se estenderá pela experiência pessoal e pela experiência de milhares de pessoas que tive a oportunidade de discutir sobre suas experiências. A resposta está no Blog, na criação dele, na procura e nas histórias que eu conheço. É como eu sempre digo, a cura é um termo que em LVC tem vários pontos de vista. Para mim, que amo os meus animais ela é real. Pode até não existir a cura por completo (embora alguns estudos e experiências de muitos profissionais demonstram o contrário), mas o TRATAMENTO EXISTE. Ah sim, ele existe. E O TRATAMENTO, DESDE QUE SOB O ACOMPANHAMENTO DE PROFISSIONAL E SOB CRITÉRIOS DEFINIDOS TAMBÉM EXISTE E OS RESULTADOS SÃO INCONTESTÁVEIS.
Como observadora que sou, fiquei muito curiosa sobre o que o caro colega veterinário X quis dizer que “no dia que descobrirem que há cura para o cão, eu gostaria de estar envolvido nisso, pois eu ficaria milionário da noite para o dia”. Ele quis dizer que exploraria os donos de animais? Ele quis dizer que é impossível isso acontecer?
Eu só sei de uma coisa. Se ele ficar indo em tópico falando coisas que já são batidas, milionário ele não ficará. Ele poderia estar pesquisando sobre a doença, ao invés de perder tempo em propagar coisas que já estão sendo refutadas..
Quem sabe assim ele não seria um forte candidato a ficar milionário …
O Blog compartilha!
Numa das andanças a procura de material sobre Leishmaniose, encontrei um Blog muito interessante, da Bia Lopes, uma Bióloga de Rondonópolis/MT. Além do Blog ela postou alguns artigos em um site de artigos.
Veja ele na íntegra.
A DENGUE, A LEISHMANIOSE E AS AVESTRUZES ….
Calma, calma! A avestruz não transmite nem dengue nem leishmaniose! Ela aparece aqui para demonstrar o comportamento equivocado de quem está (ou esteve) frente à coordenação e, de forma inconseqüente, se comporta como a avestruz, mantendo “enterrada a cabeça” num buraco e achando, que, assim, o problema fica solucionado!
“Aqui não tem Dengue”, só virose; “a culpa é da população” e outras desculpas vergonhosas, que costumamos ouvir...
Ah, e cães não transmitem Leishmaniose, eles são chamados reservatórios, após a contaminação e são, como já escrevi anteriormente, vítimas assim como nós, do mosquito, da incompetência e do descaso desses maus gestores escalados para o setor e de quem os escalam....
Se as ações de combate/controle dos vetores estão equivocadas (e esta é uma das explicações para o aumento de epidemias), é necessário rever, rediscutir, alterar os procedimentos. Para isto se faz necessário uma boa dose de coragem no enfrentamento de resistências enraizadas e de interesses diversos.
Gestores, técnicos e, especialmente alunos das variadas áreas, inclusive da saúde (medicina, agronomia, veterinária, biologia, etc.) deveriam ter como princípio a leitura. Bons autores podem mostrar com clareza o ‘caminho das pedras’, desvendando os persistentes mistérios de recursos e mais recursos empregados sem resultado positivo nenhum. Os livros de Gubler, Halstead, são em inglês, o que pode dificultar um pouco, mas por que não começar o exercício fazendo a tradução? Afinal, cargo público deve ser ocupado por gente que demonstre interesse em saber!
E temos nossos autores brasileiros, com excelentes obras relacionadas à virologia, parasitologia, infectologia, entomologia.
Ler e questionar!
Quando o curso solicita algum trabalho de pesquisa parece que muitos estudantes usam o método “control C” e “control V”, isto é: copia e cola.
Não! Não tenho nada contra esta ferramenta do sistema, é ótima... Mas quem tem certo grau de preguiça, na hora de realizar um trabalho usa única e exclusivamente esta ferramenta! E isto, sim, é negativo... Se não ler não aprende; não assimila, absorve apenas. E quem não sabe não questiona, ‘engole tudo’ como certo e não é assim que funciona!
POR QUE A DENGUE SÓ AUMENTA?
Uso de inseticida errados; metodologia incorreta; funcionários sem capacitação. Pensar que criar um dia “D”, fazer circo, teatro, show, vestir-se de mosquito, muito panfleto inútil e dispendioso, sem resolver o problema, é perda de tempo e de dinheiro. E dinheiro do contribuinte!
“Infestação por dengue é mascarada”, diz Leda Regis, pesquisadora, “pois os agentes de saúde visitavam as casas para procurar visualmente as larvas do mosquito e esse porcentual não chegava a 5% em Ipojuca e a 12% em Santa Cruz do Capibaribe.” Muitos deles desconhecem ou não sabem identificar nem larvas nem pupas ou o próprio mosquito, explica ela depois de algum acompanhamento.
Hoje pela manhã, 17.01, enquanto aguardava o conserto dum pneu, numa borracharia, no centro, dei uma olhada geral, “com olhos de quem quer ver”. Pois bem, na borracharia não encontrei criadouros, apesar da utilização de uma grande caixa d’água para verificar furos em pneus.
Mas, ao lado...
Na parte de trás de uma oficina de confecção de placas e faixas de publicidade, o quadro era assustador! Grandes e pequenas embalagens jogadas, cheias de água da chuva que caiu no dia anterior estavam ali, num verdadeiro paraíso para os mosquitos! E alguém revisou isso? Não!
EDUCAÇÃO AMBIENTAL É IMPORTANTE, SIM
Mas não é tudo.
Se os vetores ainda não estivessem instalados em nosso país, só educação ambiental resolveria, mas este não é o caso. Fazem-se necessárias providências urgentes para a eliminação dos insetos.
Em meu artigo UM GRANDE ERRO DE AVALIAÇÃO, cito palavras do Dr. Helder, que diz de sua profunda tristeza por ver o país “se confrontando com casos de dengue e infestação pelo vetor, imbatível, desde aquela época! Surpreendeu-me que por aqui se estivesse valorizando tanto a busca de criadouros e se combatesse de forma tão débil o vetor adulto... Ao longo de mais de uma década tenho observado esse paradoxo e as manchetes sobre a dengue falam por si.”
Ele fala também, sobre seu trabalho realizado na Amazônia, garantindo a saúde dos trabalhadores do campo de petróleo do Rio Urucu, em plena Floresta Amazônica, com milhares de criadouros propiciados pelas mudanças anuais de cursos dos rios e uma imensidão de árvores gigantescas, que podem abrigar centenas de poças d’água. Ele recrutou e treinou o pessoal em convênio com a extinta SUCAN.
Qual a fórmula que Dr. Hélder utilizou? Fez uso do UBV, o velho “fumacê” e, conforme suas palavras “com pleno sucesso nas estradas e nos acampamentos em terra batida do Urucu, nos finais de tardes, mornas e úmidas, permitindo que milhares ali trabalhassem e vivessem sem qualquer episódio de contaminação”! (Batalha Perdida- O GLOBO do dia 04/02/2008).
O comentário de Paulo Cesar Silva, Sanitarista do Ministério da Saúde, é também muito claro: “É impressionante como em situações de crise, como em uma epidemia de dengue, por exemplo, especialistas de uma área se atrevem a dar opiniões sobre coisas que não dominam. A questão da ineficiência do "fumacê" é uma delas”.
“Poucos, a não ser especialistas da área de controle de vetores sabem o contexto. Uma epidemia (seja ela de malária ou de dengue, SÓ SE INTERROMPE COM INSETICIDAS DE AÇÃO ESPACIAL! “ A dengue é uma doença que, se o gestor municipal, fizer o dever de casa (atividades de rotina, como mobilização da população e visitas casa-a-casa com cobertura de qualidade e regularidade), consegue-se o controle com o mínimo uso de inseticidas”.
Fica bastante claro que ao longo destes últimos anos, erros e mais erros foram cometidos e o resultado ai está: o vetor se espalhou pelo país todo, com exceção ao RS que apresenta casos de dengue em que as pessoas estiveram em cidades/estados onde o vetor e a patologias estão presentes.
Paulo Cesar: “A epidemia de dengue em Fortaleza, este ano, foi controlada graças ao uso do Malathion em aplicações com o UBV. Por favor, deixem de prestar um desserviço à saúde pública! Estamos convivendo com uma situação grave, principalmente pelo acometimento de crianças. Se não querem ajudar, pelo menos não atrapalhem...
O sanitarista conclui: “Esse pessoal deveria pelo menos consultar o MS - temos 100 anos de experiência em controle de vetores - O Brasil foi e é referencia técnica mundial nesta área, hoje podemos festejar a interrupção da doença de Chagas pelo barbeiro, graças ao uso racional de inseticidas de ação residual”.
Com a ameaça de uma epidemia envolvendo 2009 e 2010 torna-se imperativo a revisão urgentes das ações, ensejando as modificações que se fazem necessárias!
Fonte:
Beatriz Antonieta Lopes
bia_utopia@yahoo.com.br ou bialolara@gmail.com
bialopes-beatrizantonietalopes.blogspot.com/
Extraído de: www.artigos.com
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